São Paulo - O cineasta Carlos Reichenbach morreu em São Paulo na tarde de sexta-feira, dia em que completava 67 anos. O diretor de 22 filmes, como ''Anjos do Arrabalde'' (1986) e ''Alma Corsária'' (1993), teria sofrido um infarto. Ele descansava em casa quando passou mal e chegou morto à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na Vila Buarque (região central). Casado com Lygia Reichenbach, deixa três filhos e uma neta.
Incentivador do cinema nacional e um cinéfilo antes de tudo, o gaúcho de Porto Alegre participou dos movimentos da Boca do Lixo e do cinema marginal. Misturando sensualidade e nudez a gêneros pouco usuais no Brasil, como o suspense, Carlão, como era conhecido, teve seu maior sucesso comercial com ''A Ilha dos Prazeres Proibidos'' (1978). O thriller sobre uma assassina (Neide Ribeiro) foi realizado em três semanas e atraiu mais de 4 milhões de espectadores no Brasil e outros países da América do Sul.
Reichenbach sempre quis fazer filmes comerciais, apesar de ''Falsa Loura'', seu último longa, de 2007, ter passado despercebido. O desempenho da obra decepcionou o diretor, que considerava o filme protagonizado por Rosane Mulholland o seu mais popular desde os anos 1980.
Ex-professor de cinema da Escola de Comunicações e Artes da USP, Reichenbach era sócio da produtora Dezenove Som e Imagens e um de seus principais prazeres era apresentar a Sessão do Comodoro no CineSesc, exibindo filmes raros e inéditos no circuito, a maioria de horror.
O cineasta foi um dos homenageados do Festival de Roterdã (Holanda), em fevereiro deste ano. O evento, que já fizera uma mostra especial com diversos de seus filmes na década de 80, exibiu uma cópia restaurada de ''Lilian M. - Relatório Confidencial'' (1975), sobre uma mulher que abandona a família no interior para tentar a vida em São Paulo.
Em 2010, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo também havia rendido homenagem ao cineasta, que ganhou vários prêmios, como o Kikito de direção em Gramado por ''Filme Demência'', em 1986, e o Candango de melhor filme no Festival de Brasília por ''Alma Corsária'', em 1993. ''Conheci o Carlão quando frequentava o cineclube da GV (Fundação Getúlio Vargas). O que havia de mais empolgante nele era sua paixão pelo cinema'', diz André Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS).

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