Carlos Reichenbach aguarda reação do público em Locarno
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Rui Martins 
Locarno, 11 (AE) - O cineasta brasileiro Carlos Reichenbach aguarda em Locarno a projeção do seu filme "Dois Córregos" para a crítica, amanhã, e para o público, sexta-feira. Seu filme
na competição, concorre ao Leopardo de Ouro.
Reichenbach já teve oportunidade de ver alguns filmes, no telão de 300 metros quadrados, da Piazza Grande, onde hoje à noite foi projetada uma cópia restaurada do clássico do cinema político italiano, Salvatore Giuliano.
Depois de um encontro com Marco Muller, diretor do Festival Internacional de Cinema de Locarno, o cineasta Carlos Reichenbach foi entrevistado e fotografado pelo jornal diário do festival. A primeira exibição do filme foi em sessão reservada a compradores. Como você vê o Festival de Locarno? Carlos Reichenbach - O aspecto mais forte dos filmes selecionados é o aspecto autoral, cinematografias que apostam na linguagem. Com o telão da praça, Locarno parece se transformar na capital da cinefilia. Náo é um festival dedicado aos filmões de sucessos comerciais, com os quais o público está acostumado. Isso é importante. São 8 mil pessoas para ver o filme de Daniel Schmid ou a reconstituição do Bandido Giuliano, de Francesco Rosi, esse clássico do cinema político italiano. Qual sua expectativa? Carlos Reichenbach - Muito grande, mas vira um ato de responsabilidade. Dia 13, o filme vai ser exibido, de tarde, pela primeira vez para um grande público e num cinema com capacidade para 4 mil pessoas. Fica até difícil se entender esse volume de público. O importante é o filme estar aqui e ninguém vai reclamar se nos sobrar um prêmio. Meu filme é intimista, é pequeno, onde a musica é personagem. Para mim, é muito emocionante estar aqui. O filme tem alguma colocação política? CR - Na verdade, o filme é a historia de um rito de passagem de duas garotas, em 1069. Duas moças que tentam se manter alheias ao que estava acontecendo no país, onde a realidade é mais forte que elas e acaba invadindo a intimidade das duas moças. Eu sempre quis fazer um filme, no qual pudesse demonstrar esse aspecto - a história mais forte que o cotidiano. E esse aspecto se torna importante para o amadurecimento da duas jovens. Com relação ao tema do filme, ele retoma as sequelas deixadas pelo AI-5 e pelo Acordo Mec-Usaid, talvez a coisa mais funesta que aconteceu em 68 e 69, responsável pelo fim de todo movimento estudantil no Brasil. E a música de Ivan Lins? CR - No meu filme, a musica é personagem. Além de fazer homenagem a músicos brasileiros caídos no ostracismo como Eduardo Souto, Mario Genari Filho, o filme tem várias peças clássicas. Praticamente pela primeira vez, Ivan Lins faz música para um filme, trabalhando quase dois anos, como Michel Legrand. E na véspera da apresentação de Dois Córregos, Ivan Lins fez um show com Michel Legrand, em São Paulo.


