Frequentemente nos deparamos com pessoas que se consideram privilegiadas por terem sido agraciadas pelo sopro divino. Elas são as únicas que sabem e as poucas que fazem. Nunca se lembram das máximas ‘‘Quem diz que faz, não faz’’; ‘‘Quem diz que vai, não vai.’’ Faltam-lhes coragem e desprendimento para concretizar o que para outros nem conta ponto, de tão singelo que lembra a história do adolescente que, diante do dentista, estufou o peito e ordenou: ‘‘Agora não tem conversa. Pode extrair à vontade e não considere o resmungo quando estiver usando a broca...’’ O profissional se surpreendeu, cumprimentou o cliente pela coragem e ordenou-lhe que se sentasse na cadeira. O garoto pediu-lhe para chamar os dois irmãozinhos que aguardavam na sala de espera.
Recentemente um conhecido solicitou a interferência de Jarbas para recuperar sua bagagem retida pelo hotel - um mafuá de terceira - como garantia do pagamento de algumas diárias. A idéia era incluir Jarbas no esquema. Franzino e eloquente, inspirava piedade. No hotel Jarbas, para impressionar a proprietária, que atendia no balcão da portaria, foi logo pedindo alvará da Prefeitura e certificado da Saúde pública. E acenou com a possibilidade de um acordo ‘‘fraternal entre as partes’’. Preocupada, pediu-lhes que aguardassem Pedrinho, encarregado de solucionar problemas insolúveis. Jarbas suspirou aliviado e manifestou otimismo ante a possibilidade de êxito... Entretanto, Pedrinho era o oposto do que imaginaram. De compleição robusta, assustava pelo tamanho. Era um autêntico gigante. A voz dele mais parecia trovão: ‘‘Não tem pobrema. Paga e a gente libera a tralha. Esse é o único jeito...’’
Alfredo se considerava bem-vindo em qualquer ambiente e seus préstimos foram solicitados por um amigo que pretendia, a todo custo, entrar numa boate que havia sido ‘‘fechada’’ por um fazendeiro. Pagaria a conta de quem lá estivesse, mas seria vedado o ingresso de quem quer que fosse. Em compensação, os de dentro teriam que permanecer até o fechamento da casa de tolerância. Ao se aproximar da porta, Alfredo balbuciou:‘‘É comigo mesmo. Quero ver quem vai proibir.’’ Forçou o trinco, nada. A solução era chutar a porta. Mas ela resistiu. De repente, ela se entreabriu e apareceu uma mão segurando um revólver. Alguém advertiu; ‘‘Eu vou impedir. Dá no pé, malandro.’’ Alfredo respondeu: ‘‘Tudo bem. Falou, tá falado...’’
Um médico solicitou de Alcebíades uma série de exames, inclusive endoscopia, eletroencefalografia. Queria saber dele também as condições do sangue, do esperma, pressão arterial etc. Entrou em cena Alfredo, que pediu a concordância do laboratorista para incluir a participação de uma mulher, imprescindível na coleta dos espermatozóides. Tão logo Alce surgiu com um recipiente portando as gotículas brancas a mulher parou na frente dele e disse: ‘‘Faz meia hora que estou à sua espera. De qualquer forma, não abro mão do meu cachê...’’

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