Alcebíades quase desmaiou de emoção. Ele sonhava situação assim desde quando começou a pensar na carreira diplomática. Afinal, não era qualquer mortal que recebia convite pessoal da soberana de Bregatânia. Sua Majestade contava com a presença dele na recepção em homenagem ao restabelecimento da saúde do duque Lazanha. Seria excelente oportunidade de um contato mais estreito com representantes de dezenas de nações. Na verdade, Alcebíades (Alce, para os íntimos) era apenas o terceiro secretário na escala hierárquica, que raramente representa o embaixador. Entre eles pululavam outros secretários, ministros, parlamentares, aguardando vez, e outros da nomenclatura da representação. Aconteceram situações inesperadas e, na emergência, ele teria que assumir.
Nada deveria dar errado. Por isso Alce advertia aos subalternos: ‘‘Quem errar terá o nome relatado ao senhor embaixador’’. Ele queria tudo nos trinques. Promoveu até um ensaio geral, quando alguém sugeriu a contratação de uma escola de samba. Idéia prontamente descartada. Todo fosfato teria que ser concentrado numa recapitulação do catálogo oficial de etiqueta. Ali confirmou uma série de atos comportamentais, como jamais beijar a mão de uma jovem solteira, não ficar entre o senta-levanta. O cavalheiro deve permanecer de pé ao ser apresentado e jamais ficar entre o senta-levanta. ‘‘Na dúvida, prefira a forma mais honrosa para o próximo’’.
Alce estava indo bem na recepção. Evitando ficar só e sem auditório, formou um grupinho entre diplomatas de países circunvizinhos. Permitiam-se até mesmo algumas piadas ou lisonjas acerca de determinadas jovens. Quando começavam a incursionar na obscenidade, eles corrigiam o rumo e discorriam sobre economia.
Lá pelas tantas, o grupo foi convidado a se unir a outros, mais numerosos. Ia começar o jogo-do-nome-feio. Todo o numerário seria encaminhado a instituições filantrópicas. Cada qual deveria comprar um cartãozinho e preenchê-lo. Ao final, Sua Majestade sortearia um e leria em voz alta o nome do participante e o nome que ele considerava mais feio. Titubeou, foi encorajado pelos companheiros e escreveu no cartão: ‘‘Considero mais feio...’’ Lembrava juiz de futebol. Os demais diplomatas ficaram perplexos. Até então, o mais vergonhoso que tinham ouvido era Temístocles Emerenciano...

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