Carlos da Silva
Enquanto desmontava sua bagagem (quase só muamba que poderia adquirir no Brasil mesmo, evitando a mão-de-obra e o perigo desnecessário a que esteve exposto na alfândega) Alfredo descrevia sua viagem a Los Angeles: Desde garotinho eu me amarrava nessa do Oscar, agora na 71ª edição. Não importava a peculiaridade dos filmes. Interessavam mais a beleza e elegância, cada vez mais acentuadas, das mulheres em busca de uma estatueta que ainda hoje muitos acreditam ser de ouro.
Detalhe curioso foi a parcimônia de muitos convidados ao ouvir a menção do seu nome. Sophia Loren simplesmente gritava o nome do Melhor Filme Estrangeiro. Fernanda Montenegro representava o melhor dentre as produções brasileiras. Não faltou alguém para cobrar do nosso Central do Brasil o título de campeão moral. Nossa estrela, sim, estava comedida, impassível. Roberto Benigni faturou o Melhor Filme Estrangeiro e o de Melhor Ator. Comemorou intensamente e aplaudiu pulando (literalmente) sobre poltronas.
Pode ser só impressão, mas a cerimônia deixou de ser aquele espetáculo fantástico e deslumbrante, de luz, cores e som. Em shows do passado impressionava a coreografia. Hoje os participantes parecem esperar que tudo acabe logo. Quem reza para que tudo chegue ao final é Jarbas, que confessou estar conquistando o coração de Agripina. A coisa começou no ensaio geral dela. Um lugarzinho desocupado ali, um sorvetinho aqui. E chega o momento do célebre convite: Que tal almoçarmos amanhã no meu apartamento? Claro que ela concordou, para alegria de Jarbas.
Prepararam a quatro mãos o almoço. E houve um certo arrefecimento. O conquistador deixou de sorrir e de assobiar. Algo dera errado. Por insistência de Alfredo, Jarbas confessou: Fui enganado, Não se trata de mulher autêntica, mas você concorda comigo que a criatura, para não ser perfeita esqueceu um detalhe, simples mas significativo.
Honorata - o nome da peça - chegou às lágrimas na tentativa de explicar. Argumentou que, realmente, pertencia a um grupo minoritário e que a discriminação começava em casa, com papá... E se eu me submeter a uma cirurgia? Farei isso em homenagem a você, na esperança de que não ficarei no abandono. E continuou: Quem sabe, num clima de felicidade entre nós dois pinte um herdeiro? Vai pintar é porrada, se você não encerrar esse papo careta.





