Em termos de mulher, Alfredo parecia cão farejador. Mas ganhava todas. Ou quase todas. Era do tipo conhecedor dos meandros que levavam à conquista de mais um troféu. Indagado, explicou que nas incursões em busca da presa era fundamental ser natural, simples e objetivo. ‘‘Não se pode perder tempo. Deu, deu. Não deu, não deu. É partir para outra.’’ E ponderava: ‘‘Evite confronto com alguém. Não vale a pena. Perde-se uma, ganha-se duas. Basta ser elegante, bem-educado. Elas ainda apreciam ser assediadas com cavalheirismo.’’ Na teoria os resultados são melhores? Ele provou que são iguais, pois na prática se pode colher bons frutos.
Estavam numa movimentada rua de cidade do interior. Alunos e professores retornavam para casa em grupos. Alfredo se surpreendeu ao reconhecer Glorinha.
Ela o saudou de longe com o maior sorriso que poderia dar em homenagem a alguém. Ela demonstrava o desejo de recompensar por um gesto de arrependimento. Na noite anterior o esquema não funcionou porque um jovem, que se dizia noivo de Glorinha, entrou no circuito e atrapalhou o esquema.
Alfredo ficaria na cidade apenas três dias. Dispunham, pois, de pouco tempo. Decidiram que se encontrariam por volta das 21 horas e ela voltaria para casa nunca além de 23 horas. Dona Gertrudes explicava: ‘‘Temos que cuidar bem das crianças, que não sabem o que fazem...’’ E recomendava: ‘‘Juízo, hein!’’ Foram direto para o motel. Que constrangimento. Alfredo não conseguiu romper a cidadela que tantos preservavam. E pelo jeito continuaria intacta. Quis saber o que Glorinha fizera com Jarbas nas noites intermináveis. Ela indagou por que todos os homens preferem feijão com arroz. Ele ciceroneava o recôndito de Glorinha. Até que, num instante inesperado, Alfredo fez outra tentativa, finalmente com êxito. Explicou que o problema era psicossomático: ‘‘Ao perceber o que a espera, os músculos endurecem, formando uma barreira elástica.’’ Glorinha respirou profunda e sofregamente, como minutos atrás.
E essa história de noivado? perguntou Alfredo. Quem é esse cara, Jarbas, que sempre fica na área esperando um cruzamento? Ela discorreu meia hora sobre seu leão-de-chácara. Excelente como companheiro e cão de guarda. Só isso. Não serve para nada mais. Já experimentamos mas nada deu certo. Ele se satisfaz com menos.

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