O escritor místico e antropólogo Carlos Casta¤eda, considerado um dos pais do movimento new age norte-americano, morreu no último dia 27 de abril, aos 72 anos, de câncer no fígado, segundo notícia publicada hoje no jornal ‘‘Los Angeles Times’’. A morte foi anunciada anteontem pelo advogado encarregado de seu testamento.
O corpo foi cremado, e as cinzas espalhadas em um deserto mexicano. Em suas biografias, conta-se que Casta¤eda recebeu de um feiticeiro o domínio da realidade extra-sensorial. Para isso, ele deveria submeter sua história pessoal e, desde então, o escritor transformou-se num mistério para a imprensa. Ele passou a viver clandestinamente, e suas entrevistas ficaram cada vez mais raras. Isso explica por que a notícia de sua morte foi tratada com tanta discrição.
No início dos anos 60, influenciado pelas comunidades alternativas, pela geração beat, pelo espírito flower power e seus hippies, Casta¤eda foi para a fronteira mexicana pesquisar as plantas alucinógenas usadas como remédios pelos índios da região.
Lá conheceu o bruxo Dom Juan e tornou-se aprendiz de feiticeiro. Casta¤eda publicou oito livros sobre o relacionamento com seu mestre. O escritor virou guru e influenciou milhões de discípulos em todo o mundo com frases como ‘‘cada caminho é apenas um entre milhões de caminhos. Se você acha que não deve segui-lo, não precisa ir adiante. O fato de abandoná-lo não pode agredir você, nem pode ofender ninguém’’. ‘‘A sua decisão de seguir ou abandonar um caminho deve ser livre de medo ou ambição. Eu lhe aviso: examine cada caminho com atenção e propósito.’’
‘‘Experimente-o tantas vezes quanto julgar necessário. E pergunte a você mesmo: esse caminho tem coração? Se tiver, o caminho é bom. Se não tiver, não tem utilidade.’’
Apesar de haver biografias sobre o guru, como ‘‘Conversando com Carlos Casta¤eda’’, de Carmina Fort (ed. Record), há muitos mistérios não desvendados. Alguns autores dizem que Casta¤eda nasceu no Peru, mas ele se declarava brasileiro, nascido em Juqueri em 25 de dezembro de 1935. O escritor naturalizou-se norte-americano e, em 1959, entrou no curso de antropologia, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Em 1968, obteve o mestrado com ‘‘A Erva do Diabo’’, primeiro trabalho na área que o deixou milionário. Quatro anos mais tarde, publicou ‘‘Viagem a Ixtlan’’, sua tese de doutorado. Em meados dos anos 70, abandonou a carreira de professor de antropologia na UCLA e passou a se dedicar em tempo integral a seus livros e bruxarias.

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