Salvador - O músico Carlinhos Brown se desentendeu com policiais militares na madrugada de anteontem, no circuito Barra/Ondina, na orla marítima de Salvador, desacatou a PM, foi preso e liberado em seguida. No final da década de 90, Brown ficou nu em cima do trio elétrico para protestar contra o engarrafamento do carnaval baiano, o que lhe valeu um processo por atentado ao pudor.
O incidente de terça-feira irritou a cúpula da Polícia Militar do Estado, que vai comunicar o caso ao Ministério Público Estadual para tomar providências legais contra o músico.
Brown comandou o seu Camarote Andante, animado por timbaleiros e o trio elétrico Caetanave (símbolo do carnaval dos anos 70 que ele restaurou) ao longo de todo o percurso Barra/Ondina. Próximo ao final do desfile um timbaleiro teria acertado um soco num folião que assistia à passagem do bloco. A cena foi flagrada por policiais militares que patrulhavam a área e prenderam o agressor.
O músico percebeu que o integrante de seu bloco estava sendo conduzido para o módulo policial próximo e passou a criticar os policiais militares pelo microfone que pouco antes usava para cantar. Não satisfeito tentou evitar a prisão. Acabou recebendo voz de prisão e foi conduzido pelos policiais ao módulo.
Após vinte minutos de conversa com os oficiais da PM, acabou sendo liberado junto com o timbaleiro que foi ''resgatar''. Em seguida, subiu no trio elétrico cantou o Hino Nacional, fez uma saudação aos orixás do candomblé e encerrou a desfile do Camarote Andante.
Considerando a atitude de Brown desrespeitosa com ''uma instituição como a PM'', o tenente-coronel Siegfried Frazão, chefe do setor de Comunicação Social da Polícia Militar, disse que o ato poderia ter provocado um grande tumulto. ''Ele incitou os foliões contra a PM'', comentou, declarando que a polícia não iria ''servir de escada para pessoas criarem fatos visando se promover''.

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