Carla do tchan perde a vez
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sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Claudio Renato Agência Estado 
A dançarina Carla Perez, atração do grupo É o Tchan, bem que tentou se aproveitar da exuberância de seus dotes físicos para quebrar uma tradição no Salgueiro. Queria ser a madrinha da bateria da escola neste carnaval, mas a determinação do Mestre Louro prevaleceu. O Salgueiro, pelo quinto ano consecutivo, não terá musa à frente dos tamborins, dos bumbos e agogôs. O fato reabre a polêmica sobre a madrinha de bateria, um posto que não conta ponto para as escolas, mas fez a fama de modelos como Monique Evans, Luma de Oliveira e Valéria Valenssa, a Mulata Globeleza.
O Salgueiro é unânime, em sua diretoria, a começar pelo presidente da escola, Paulo César Mangano, em condenar a figura da madrinha de bateria. A madrinha atrapalha a evolução da bateria, quebra o desfile, embora seja um ótimo instrumento de marketing para a escola, garante Mestre Louro. Semana passada, Carla Perez visitou o barracão do Salgueiro e parecia conformada com o fato de que, para a escola, mais vale um bumbo afinado que um bumbum desconcertante. Ela confirmou que vai desfilar longe da bateria.
O fato é que a madrinha de bateria - modelos ávidas de fotos - é uma espécie em extinção na avenida. O presidente da União da Ilha do Governador, Jorge Taufie Gazele, a contragosto, levará para a Marquês de Sapucaí, como rainha de bateria, a modelo Dayse Nunes, uma gaúcha que já foi miss Brasil. Ela frequenta a escola há muitos anos, mas na hora que parar, a União da Ilha deixará de ter madrinha de bateria.
Salgueiro não
quer nenhuma
musa à frente
dos tamborins
Gente de casaA Portela virá com uma madrinha da comunidade, Edicléia. As modelos veteranas, que fizeram fama no posto em outras escolas, como Luma de Oliveira e Valéria Valenssa, terão que se conformar com outros espaços na passarela. Para o carnavalesco da Portela, Ilvamar Magalhães, a madrinha tem que se preocupar com o desfile e não com os fotógrafos. E para isso ele preparou Edicléia. O presidente da Imperatriz Leopoldinense, Wagner Araújo, é um dos poucos que resolveu arriscar e levará, pelo terceiro ano consecutivo, a modelo Luiza Brunet para ser madrinha da bateria da escola.
Araújo já tomou suas precauções e determinou que dois diretores da escola orientem Brunet na avenida. É perigoso quando a madrinha quer aparecer mais que a escola, mas eu não tenho tido problemas com a Brunet, afirmou.
O carnavalesco Joãosinho Trinta, que comanda a Unidos de Viradouro, em Niterói, também optou por uma madrinha da comunidade, integrada com a escola e que não venha a atrapalhar a evolução. Será a arquiteta Patrícia Costa, que tem como orientação acrescentar graça e beleza ao desfile. Já a Mangueira adota um sistema democrático na escolha da rainha e das princesas da bateria. Esta semana, haverá uma eleição entre os 320 ritmistas para a escolha das beldades, que devem pertencer ao próprio morro. Será a maior alegria do pessoal, garante o diretor de carnaval da Mangueira, Percival Pires.


