ReproduçãoCarla Camurati: ‘‘Eu me identifiquei muito com o humor e a leveza do texto’’Não é preciso estar cara a cara com Carla Camurati e, muito menos, olhar em seus olhos para perceber o quanto ela está empolgada com seu novo filme, ‘‘La Serva Padrona’’, que tem pré-estréia hoje em São Paulo, onde entra em cartaz na sexta-feira. Em entrevista por telefone à Folha2, a atriz, diretora e produtora falou do prazer que foi transformar uma ópera em filme. ‘‘Eu me identifiquei muito com o humor e a leveza do texto. É um ‘Sai de Baixo’ setecentista’’, compara a diretora, referindo-se à época em que a peça foi escrita. Composta em 1733 por Giovanni Battista Pergolesi, que morreu aos 26 anos de idade, ‘‘La Serva Padrona’’ é a primeira ópera filmada no Brasil.
A paixão de Carla Camurati pelo texto de Pergolesi começou em 1996 quando ela foi convidada para encenar a peça em Belo Horizonte. ‘‘Durante os ensaios percebi que iluminadores, contra-regras e os zeladores do teatro sabiam cantar as canções líricas na ponta da língua. Foi então que vi que tinha nas mãos material para um filme. Mesmo assim, tive medo que as pessoas deixassem de ir assistir por se tratar de uma ópera, o que seria uma pena, porque o filme é muito divertido’’, antecipa a cineasta.
Divulgação‘‘La Serva Padrona’’ é uma espécie de ‘‘Sai de Baixo’’ setecentistaCarla Camurati lembra que, quando começou a filmar ‘‘Carlota Joaquina’’, que marcou sua estréia como diretora, cansou de ouvir das pessoas que brasileiro detesta filme histórico. Além de levar 1,2 milhão de espectadores ao cinema, ‘‘Carlota Joaquina’’ reconciliou o público com as produções nacionais e é considerado um dos marcos do renascimento do cinema nacional. ‘‘Eu me recuso a ser regulada por um ibope cuja receita é copiar o que dá certo. Se o resultado não for chato, as pessoas vão assistir e gostar, seja um filme histórico ou uma ópera. É oferecendo ao público diferentes gêneros que acabamos com muitos preconceitos’’, diz Carla Camurati.
A cineasta parece saber do que está falando. A estréia de ‘‘La Serva Padrona’’ no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 10 de julho, reuniu dois mil espectadores. Sucesso que ela espera repetir em São Paulo e também nas demais cidades onde o filme for lançado. Antes de chegar à telona ‘‘La Serva Padrona’’ foi exibido na televisão no final de junho pelo canal a cabo HBO, mas a diretora não acredita que isso vá prejudicar a carreira do filme nos cinemas. ‘‘Que viu na TV e gostou, com certeza, vai querer ver no cinema também’’, acredita.
Outro mérito de Carla Camurati é fazer filmes com orçamentos baixos. ‘‘Carlota Joaquina’’ custou R$ 620 mil, enquanto ‘‘La Serva Padrona’’ não ultrapassou os R$ 350 mil. ‘‘Não faço filmes realistas e isso me dá mais opções de trabalhar com a criatividade. A cenografia de ‘‘La Serva Padrona’’, por exemplo, é toda em papel. Esse tipo de recurso não seria possível num filme realista’’, justifica.
Como atriz, Carla Camurati tem 16 anos de carreira: sete filmes, seis novelas, quatro espetáculos teatrais e quatro curta-metragens. ‘‘Adoro ser atriz, adoro o ato de representar, mas não estou pensando em voltar a atuar tão cedo. Estou muito envolvida com a direção. É algo que me está me dando muito prazer e não pretendo parar’’, garante. Apesar de estar com dois novos projetos em mente, a cineasta diz que no momento quer mesmo é investir na divulgação e distribuição de ‘‘La Serva Padrona’’. Mas confirma que existem dois roteiros em vista. Um seria ‘‘Descobrimentos’’, sobre a chegada de Cabral ao Brasil e o outro ‘‘Copacabana’’ que fala sobre o processo de envelhecimento e a relação da mulher com o tempo.

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