Um boné vermelho utilizado por Marianne foi designado para representar o conceito de liberdade durante a Revolução Francesa. Entretanto, mesmo sendo proibido pela monarquia absolutista, os caricaturistas encontravam alternativas de burlar a censura e incluir o boné em formas diferentes. ''E continua até hoje. Essa imagem representa a república e foi criada em 1789. A idéia de que a república e a liberdade pudessem ser representadas por uma mulher surgiu na Itália, no século 16, através de Ripa, um autor italiano cujo livro abordava a iconografia e trazia a mulher como estes símbolos'', abordou Annie.
Marianne e a Estátua da Liberdade. Seria mera coincidência serem ambas mulheres? ''Não, pois a figura feminina remonta a Grécia, com as estátuas recorrentes como Minerva, por exemplo. A mulher representa a fecundidade, a liberdade e o próprio futuro'', ponderou.
Segundo a pesquisadora, o símbolo de Marianne nasceu em 1848, durante a chamada Segunda República, porém, a justificativa para o nome é um mistério. ''Talvez seja a junção dos dois nomes mais comuns entre as mulheres francesas - Marie e Anne -, mas não se sabe muito bem onde, como e quem criou. Nunca houve um registro sobre isso'', disse.
Eugene de La Croix, um dos mais importantes pintores franceses da história moderna, também fez uso de seu talento para representar uma mulher à frente das manifestações com a obra ''A Liberdade Guiando o Povo'', mesmo não sendo nada partidário da república. ''Ele não se identificava com a república, era conservador. Mas, por alguma razão, aquele quadro da mulher com o seio nu - que representa a fraternidade - e a bandeira ganhou muita repercussão. As pessoas fizeram imediatamente a associação à Marianne'', apontou a professora. La Croix era tão conservador que o fato de sua obra ter feito sucesso entre os republicanos nada lhe agradou, chegando a repintar o boné para deixá-lo menos vermelho.

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