O ar de boa moça não existe mais para Céu. Na estrada há tanto tempo, tudo fez com que ela encontrasse novas perspectivas. Ampliou os horizontes, abriu os ouvidos, e volta com o seu melhor disco. Um trabalho com consistência desde o princípio. A ótima banda tem como destaque as primorosas linhas de guitarra de Dustan Gallas. Também guitarrista, Fernando Catatau abre o disco no instrumento em ''Falta de Ar'', com toques psicodélicos que se encaixaram com o clima nonsense da letra: ''O mundo tem que crescer/Crescer até tocar a lua/Em Marte eu vou descer''.
Na última faixa, ''Chegar em Mim'', Lúcio Maia, da Nação Zumbi, assume a guitarra para tocar uma canção que Jorge Du Peixe (também da Nação) finalizou especialmente para Céu. A bateria de Pupillo soa quase eletrônica, tal a sua habilidade em ocupar os espaços. ''Sereia'', um belo canto folclórico de raízes africanas, é feita para a filha Rosa. Já ''Palhaço'', de Nelson Cavaquinho, foi escolhida a dedo para que o pai de Céu, Edgar Poças, pudesse dedilhar uma valsa no violão, enquanto Gui Amabis, produtor do disco, dá à canção ares de um filme felliniano. A música tem a melancolia de um circo de interior, de um palhaço e sua tristeza incurável.
Ao contrário de ''Vagarosa'', seu álbum anterior, ''Caravana Sereia Bloom'' é expansivo e se impõe. Imagético a ponto de se ouvir e ser levado para a estrada. No retrovisor, um passado de paisagens vistas e vividas. E Céu conduz você pelo caminho. (P.A./Agência Estado)

Serviço:
- Caravana Sereia Bloom
Artista - Céu
Gravadora - Universal Music
Preço sugerido - R$ 24,90

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