'Caramuru' não nega a origem das telinhas
Exibida entre 19 e 21 de abril deste ano pela Rede Globo (23 pontos de audiência média, segundo o ibope), a minissérie ''Caramuru - A Invenção do Brasil'' foi transformada em longa que começa a ser exibido a partir de hoje em 130 salas do país, com distribuição por conta da Columbia Pictures (veja a programação de cinema na página 6). O processo para chegar ao circuito das salas nacionais é quase idêntico ao de ''O Auto da Compadecida''. A diferença é que ''Caramuru'' é o primeiro filme (?) brasileiro a ter imagens captadas com câmeras de vídeo HDTV - High Definition Television, posteriormente ''cinescopadas'' para celulóide. ''Auto'', por sua vez, já nasceu cinema, com gravação em Super 16mm e posterior ampliação para 35mm.
Misturando realidade e ficção, ''Caramuru - A Invenção do Brasil'' conta a história do do artista plástico português Diogo Álvares, que é deportado para o Brasil em 1500 depois de meter-se em confusão em Lisboa. Quando chega aqui, quase é devorado pelos índios mas escapa da morte dando um tiro para cima. Assustados, os índios fazem de Diago o rei da tribo, Caramuru. Que termina namorando Paraguassu e Moema, além de ter ajudado a fundar Salvador.
Escrito e dirigido por Guel Arraes e Jorge Furtado, há dez anos trabalhando em parceria no núcleo de produção da Rede Globo, o filme é, segundo definição do próprio Arraes, ''uma comédia romântica narrada em tom de fábula''. A idéia foi obter, de maneira bem-humorada, um retrato aproximado do que teria sido a formação do caráter do povo brasileiro, com os indispensáveis traços de preguiça, mentira, corrupção, sensualidade e uma dose razoável de trabalho, temperado pelo que se conhece hoje por ''viver de expediente''- a camelotagem ambulante, por exemplo, que teria sido inventada por Caramuru quando vendeu balangandãs e ervas aos portugueses em vários pontos da costa.
A produção teve os habituais cuidados do núcleo de minisséries da Globo, e incluiu gravações em Portugal, além das paradisíacas locações no litoral sul fluminense. No elenco, Selton Mello no papel título, Camila Pitanga (Paraguassu), Débora Secco (Moema), Tonico Pereira, Marco Nanini, Luis Mello, Débora Bloch, Diogo Vilela e Pedro Paulo Rangel.(C.E.L.J.)





