Carambéi expõe a arquitetura dos Países Baixos
Curitiba - É impossível chegar ao município de Carambeí (20 km ao norte de Ponta Grossa) e não perceber a influência da imigração holandesa. Pequenos moinhos instalados nos quintais e casas com a arquitetura típica dos Países Baixos são comuns. O que surpreende à primeira vista é a presença indonesiana na cultura local.
Explica-se: como o país asiático foi colônia da Holanda até o fim da Segunda Guerra Mundial, muitos holandeses que moravam lá acabaram seguindo os passos de seus conterrâneos e desembarcaram no Brasil, principalmente em Carambeí. É o caso de Dymphnus Vermeulen, de 83 anos. Ele nasceu na Indonésia no período em que os pais holandeses moravam lá. A propriedade dele, de 14 hectares, está no roteiro da viagem e vale a visita, não só pela casa de madeira, construída na década de 1930, mas pelo exemplo de vida de seu dono.
Vermeulen mora sozinho na área os filhos e a mulher residem em Curitiba onde planta árvores e relaxa. ''Minha atividade hoje é descansar'', afirma quando perguntado sobre o que faz atualmente. Seo Dimmy, como gosta de ser chamado, chegou ao Brasil com a família em 1938. Entre idas e vindas foi também piloto pela Inglaterra na Segunda Guerra Mundial , ele acabou se estabelecendo definitivamente aqui em 1956. Na propriedade onde mora que seo Dimmy montou um cemitério para os túmulos dos pais e de dois filhos pequenos e já preparou uma sepultura para ele. ''Eu aprendi que na vida a gente tem sempre que viver para a frente, porque o passado já se sabe.''
A imigração holandesa em Carambeí começou mais cedo, em 1911. Estima-se que hoje 10% dos 15 mil habitantes do município seja de descendentes dos primeiros colonizadores. Para conhecer melhor essa história, nada melhor do que visitar a Casa da Memória. Lá dentro, o turista vai ver uma grande maquete mostrando a colonização desde o início do século passado até a década de 1950. Também há reconstruções, em tamanho real, de uma casa de pioneiro, igreja, escola e armazém, com móveis originais.
Fundada por imigrantes holandeses em 1941, a Cooperativa Batavo é outra atração. Os turistas se vestem de branco com jaleco, botas e toucas, para visitar a produção de iogurte dentro da fábrica Batávia. (E.T.)





