Cara nova na dramaturgia
Rodrigo Teixeira
TV Press
Júlia Feldens não se considera uma atriz. Sou, no máximo, uma aspirante, comenta. A modéstia desta gaúcha de 21 anos não condiz com a performance na pele de Juliana, em Força de Um Desejo, seu primeiro papel na televisão. Dona de uma voz meiga e gestos delicados, Júlia deixa transparecer uma cobrança excessiva para quem estréia em novelas.
Decidida a enveredar pelo caminho da dramaturgia, Júlia deixou a cidade de Lageado, no interior do Rio Grande do Sul, aos 18 anos. Trancou o primeiro ano da faculdade de Psicologia, que cursava em Santa Cruz do Sul, para fazer um workshop com o diretor Gerald Thomas. Logo, o diretor a chamou para fazer a peça Os Reis do Iê-iê-iê, em Curitiba.
A porta de entrada para a Globo foi aberta por Ulisses Cruz, que a chamou para bater texto com atores da emissora. Na época, Júlia cursava há quatro meses as aulas do diretor Antunes Filho, em São Paulo, e já havia ficado quase um ano em cartaz com Hamlet.
Um dos motivos do entusiasmo de Júlia com o papel da romântica Juliana foi contracenar com Selton Mello. O ator, que vive o personagem Abelardo, noivo de Juliana na novela, é apontado pela atriz como um dos mais talentosos da nova geração. Outra causa foi o fato de Força de Um Desejo ser escrita por Gilberto Braga e dirigida por Mauro Mendonça Filho, o que fez a atriz abandonar o curso com Antunes Filho.
A atriz entrou em parafuso ao se deparar com o processo alucinante de trabalho da Globo, com uma média de 15 cenas diárias que precisava cumprir. Fiquei deprimida e engordei. Hoje, a pressão não me assusta tanto, garante Júlia.





