Milton DóriaBud Wachter e Steve Hancoff: ‘‘Queremos trazer alegria e diversão, e mostrar que esse é o estilo americano de ser’’As corredeiras dos rios chilenos ajudaram o guitarrista Steve Hancoff a concluir que a América Latina era um grande lugar. Hancoff esteve no Chile para a prática do rafting - descer corredeiras em botes de borracha. Gostou do lugar e comentou com o amigo: ‘‘Você tem que conhecer a América do Sul’’. Bud Wachter, que domina o banjo com facilidade, ficou curioso.
A oportunidade veio quando a Usis - um serviço de informações dos Estados Unidos - contatou Wachter para fazer uma turnê pela América do Sul. O músico concordou, e ainda escalou Hancoff para acompanhá-lo. A dupla tocou em três cidades brasileiras, três argentinas e duas equatorianas. Posteriormente voltaram ao Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Venezuela. Mas, por questões financeiras, o governo parou de bancar os shows.
‘‘Em maio ligamos para a Usis e eles disseram que tinham muito dinheiro, e que deveriam gastá-lo até 1º de outubro. Então viajamos por dez países diferentes: Iêmen, Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes, Paquistão, Índia, Bangladesh e Sri Lanka’’, comenta Hancoff, bem-humorado. A dupla está em Londrina para uma apresentação, às 20h30, no auditório do Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos, em Londrina.
Depois da turnê pelo Oriente Médio, os músicos descansaram duas semanas e vieram para o Brasil. Eles já se apresentaram em Salvador, Rio de Janeiro e Campinas, hoje tocam em Londrina e depois seguem para Porto Alegre, Brasília, Goiânia, Fortaleza e Belém.
Para o show de hoje os instrumentistas prometem um verdadeiro panorama da história da música dos Estados Unidos: ‘‘Não sabemos exatamente como será o programa, mas vamos mostrar um pouco de popular, passar pela Guerra Civil, época das ferrovias, ragtime e jazz de New Orleans’’, explica Hancoff.
A dupla, que se conheceu numa jam-session, possui um repertório vasto. ‘‘O que fazemos em casa é uma gama grande de ritmos, além de desenvolvermos nosso próprio estilo. Nós descobrimos que apenas uma pequena parte da música americana é representada no exterior num formato muito comercial, como o veiculado pela MTV. É um jeito de se ganhar muito dinheiro. Mas da mesma forma que o Brasil tem uma música vasta, os EUA também possuem muitos estilos. Portanto vamos tocar de tudo, menos o que tocam na MTV’’, revela Wachter.
Ambos destacam o pouco conhecimento que os americanos possuem da América Latina: ‘‘Pensam em pobreza, nativos e florestas. Mas a realidade aqui é muito diferente. A mesma coisa acontece com os Estados Unidos. Os EUA que aparecem na televisão são muito distorcidos’’, ressalta Wachter.
Os músicos asseguram que não sabem exatamente o que esperar do show em Londrina. Depois de viajar por vários países e tocar nas condições mais diversas, Buddy Wachter e Steve Hancoff já estão calejados. Wachter prefere não gerar expectativas: ‘‘Já tocamos no escuro, no meio do público e enfrentamos dificuldades com locais ruins. Por isso não criamos muita expectativa com shows, mas tentamos manter um padrão elevado em qualquer circunstância’’. Para Hancoff a cobrança maior é em relação aos próprios músicos: ‘‘Queremos trazer alegria e diversão, e mostrar que esse é o estilo americano de ser’’.
Em relação à música brasileira, novamente o contraste entre o que se vê aqui e nos Estados Unidos é grande. ‘‘Nós amamos a música brasileira, mas nos Estados Unidos ouvimos poucos artistas. Aqui é algo mais dinâmico, mais rico, com muitas bandas diferentes’’, diz Hancoff.
Além da carreira como duo, os músicos desenvolvem atividades paralelas. Steve Hancoff arrancou elogios recentemente da imprensa nos EUA com o álbum ‘‘New Orleans Guitar Solos’’, e Bud Wachter já gravou quatro álbuns solos.
• Show com Steve Hancoff & Bud Wachter - Hoje, às 20h30, no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos, na Rua Professor João Cândido, 1.114, em Londrina. Entrada franca. A promoção é do Instituto Cultural, do Usis - serviço de informações americano - e da Casa Thomas Jefferson, de Brasília.

mockup