Eles não são conhecidos do público, mas poderiam estar à venda nas bancas. São os projetos gráficos de jornais e revistas elaborados pelos alunos do 2º ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Vinte estudantes da disciplina Planejamento Gráfico em Jornalismo, coordenados pelo professor Mário Benedito Sales, apresentaram recentemente layouts de 12 publicações, cada uma voltada para um público específico.
O resultado não vai para a gráfica, mas, na opinião do professor, tem qualidade para ser produto de mercado. ‘‘Um exemplo são dois suplementos de cultura, com propostas extremamente criativas’’, cita Mário Sales, justificando, no entanto, que a análise é puramente gráfica. ‘‘Alguns dos trabalhos certamente têm viabilidade comercial. Agora, se eles vão fazer sucesso é outra história.’’
Os trabalhos que mais empolgaram os alunos foram as revistas e os jornais no formato tablóide. Cada grupo criou seu produto em etapas: projeto editorial, projeto gráfico e layout. ‘‘Tudo com base em princípios gráficos pré-estabelecidos como número de páginas, tipos de seções, texto real (capturados da Internet ou de outros veículos) etc’’, alega Mário Sales. O que contou na avaliação foi o visual compatível com o proposto. ‘‘O objetivo não é elaborar o projeto, mas ter noções mínimas para poder desenvolvê-lo’’, diz o professor.
As turmas criaram, então, quatro revistas especializadas - Imaginária (sobre fotografia), Conviver (família), Juke Box (música) e Vanguarda (cultura) e quatro tablóides - Gazeta Popular (jornal popular), Estilo (suplemento feminino), Galeria e Caleidoscópio (dois suplementos culturais).
O que chamou a atenção foi justamente a criatividade e ousadia dos alunos, que conseguiram produzir um material de qualidade e que nem sempre é encontrado no mercado.
Este tipo de trabalho é realizado há muito tempo na UEL. No entanto, um novo aliado contribuiu para o aperfeiçoamento nesse aprendizado: o computador. Hoje, o curso tem acesso ao Laboratório de Informática do Ceca, que garante o mínimo para realizar os trabalhos: laboratório, softwares e hardware básicos. Mesmo assim, os alunos têm que entrar com sua contribuição na aquisição de material de trabalho.
O estudante Allan de Abreu diz que o uso do computador interferiu positivamente na criação. ‘‘Com o equipamento a gente muda tudo muito rapidamente, ou seja, o computador dá mais vazão à rapidez e à criatividade. Às vezes também desperta raiva, quando a máquina trava ou quando perde uma página’’, brinca. Outra aluna, Izabel Tavares, avalia que com o computador a pessoa pode ser mais crítica no que está criando. ‘‘O equipamento possibilita fazer um trabalho de um jeito e alterar algumas coisas, para depois poder comparar.’’
Para Mário Sales, o equipamento permite maior cruzamento de possibilidades. ‘‘No computador você erra mais, e mais rapidamente. E pode mudar e criar em cima disso. Mas ele não é determinante na criatividade.’’
A experiência deu novo impulso aos futuros profissionais. ‘‘Aprendemos a importância do trabalho em grupo e do respeito à opinião do outro’’, observa Letícia Afonso Rosa. ‘‘Depois que realizamos este projeto, conseguimos ver as publicações do mercado com outros olhos’’, completa Izabel Tavares.
A idéia dos alunos não é levar em frente nenhum destes projetos, mesmo porque a maioria tem custo de produção elevado. ‘‘Não é sempre que a gente consegue recursos para viabilizar um bom material’’, diz Fabrício Zago Azambuja.
Mário Sales argumenta que a intenção da disciplina é valorizar a associação da informação editorial e informação gráfica. ‘‘O profissional deve ter mais condições de entrar no mercado sabendo aliar informações gráficas e jornalísticas. Ele deve ter noções que o enquadrem no mercado de trabalho’’, avisa o professor. ‘‘O estudante deve saber a teoria para trabalhar a prática. A teoria ele poderá encontrar mais tarde na bibliografia. Já a criatividade ele não vai achar nos livros...’’

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