Capítulo final de Shrek supera antecessores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de julho de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Diz a sabedoria popular que é sempre melhor se aposentar no auge. E, no final de ''Shrek Terceiro'', a sensação era de que as aventuras do carismático ogro da DreamWorks pareciam mesmo ter se esgotado, só que em baixa. Essa impressão se esvai com ''Shrek Para Sempre'', em exibição no circuito nacional também com cópias em 3D, e que encerra a saga com o melhor capítulo desde a estreia, em 2001.
Bem, a melhor notícia desta vez é que os já desgastados vilões Fada Madrinha e Encantado sequer dão as caras neste episódio. O malfeitor da vez é Rumpelstiltskin, repaginado a partir da criação dos Irmãos Grimm pelo diretor Mike Mitchell (''Super Escola de Heróis''), que deu ao personagem um tom sombrio, cômico e cativante.
Na trama, Shrek, já pai de família, aos poucos vai se cansando do cotidiano ao lado de sua amada Fiona e sente falta dos tempos em que as coisas eram mais simples. Consumido por sua intolerância e ludibriado por Rumpelstiltskin, Shrek assina um acordo que muda todo seu mundinho. Aí é que ele vai precisar se superar e reconquistar Fiona e seus amigos para as coisas voltarem ao normal.
A história serve bem como forma de explorar o próprio universo de Shrek. Se o primeiro episódio, de 2001, agradou o público adulto por fazer releituras pouco simpáticas de fábulas infantis, o mesmo não pode se dizer das duas sequências seguintes, já que o personagem caiu em cheio no gosto popular infantil. A ironia, então, que poderia até mesmo agredir os baixinhos, foi deixada um pouco de lado, em prol da tradicional aventura infanto-juvenil.
Mitchell decidiu não voltar à fórmula inicial nem mesmo seguir o caminho de mais uma convencional história infantil. Buscou no próprio universo de Shrek as ferramentas para agradar com aventura e humor, com pitadas de romance e drama, para adultos e crianças. A ideia foi bem-sucedida e vai fazer os fãs da série reviverem os capítulos anteriores, já que a própria trama evoca eventos passados.
Tecnicamente, esse capítulo final também está acima dos anteriores. O 3D não chega a estar no mesmo patamar de ''Avatar'', porém, em algumas sequências, empolga muito mais do que iniciativas oportunistas de longas como ''Fúria de Titãs''. As paletas de cores e a definição dos personagens, assim como dos cenários, também melhoraram consideravelmente. A trilha sonora continua bastante divertida, com versões de clássicos. A exemplo das outras versões, muito se perde com a tradução nas cópias dubladas, especialmente com a ausência dos atores originais que dão vozes aos personagens.
Shrek, enfim, conhece seu capítulo final e, diferente de sua terceira aventura, encerra com a impressão de que toda sua história foi contada da melhor maneira possível. Deve ainda aparecer, talvez, em alguma animação especial de aniversário ou de Natal, quem sabe. O alívio é que, pelo menos desta vez, sua despedida foi à altura da criação.


