Eliane Giardini conseguiu unir a paixão pela carreira com a adoração pelo escritor Machado de Assis. A atriz será Dona Glória, mãe de Bentinho na microssérie ''Capitu'' que estréia no próximo dia 9, na Globo. A convite do diretor Luiz Fernando Carvalho, a atriz se delicia com uma mãe controladora e amorosa. ''Interpreto uma mãe com tudo que esse nome - Glória - traz de bom e ruim. Foi uma experiência avassaladora'', derrete-se. Participar da microssérie mexeu com o físico e o emocional da atriz. ''A impressão que tenho é que ensaiei como teatro, filmei como um longa e agora vai passar na tevê'', exagera. Com cinco episódios, ''Capitu'' é uma adaptação do romance ''Dom Casmurro'', de Machado de Assis. A microssérie é uma homenagem ao centenário de morte do autor.
A trama se inicia com a promessa feita por Dona Glória que seu filho Bentinho, interpretado quando adolescente por César Cardadeiro, se tornará um padre. A personagem, porém, vive o dilema de não querer que o filho vá para um seminário e, ao mesmo tempo, por ser muito religiosa, precisa cumprir a promessa. ''Já vivi muitas mães na ficção, mas nenhuma comparada à Dona Glória. É aquela mãe que disputa o amor do filho a todo custo'', analisa.
O conflito básico da microssérie é a dúvida de Bento Santiago, vivido na fase adulta por Michel Melamed, se foi ou não traído por seu grande amor, Capitu, interpretada quando jovem por Letícia Persiles e por Maria Fernanda Cândido na fase adulta. ''O melhor do Luiz Fernando é que ele busca dentro do ator algo que seja característico do personagem. Devo ter alguma característica da Dona Glória'', imagina Eliane.
Depois de representar a viúva Neuta, de ''América'', e a árabe Nazira, de ''O Clone'', Eliane precisou perder vícios dos papéis anteriores para viver a personagem machadiana. ''Gosto de mergulhar em personagens como a Dona Glória. Mas também não abro mão dos mais populares, como as novelas da Glória Perez. Sou muito eclética'', valoriza a atriz, que ficou cinco meses entre estudos e gravações. ''Esse é o tipo de atividade em que você fica envolvida por completo. Gravar vira um mero detalhe'', ressalta ela.
Apesar de ser uma história de época, a produção de Capitu apresenta uma linguagem moderna e atemporal. O trabalho é a segunda série do projeto ''Quadrante'', de Luiz Fernando. O programa nasceu do desejo do diretor de contar o Brasil, valorizando o imaginário e a cultura como fatores decisivos para o fortalecimento da identidade brasileira. ''O Luiz Fernando arrebenta fronteiras e mostra que os sentimentos são eternos. O ciúme é um sentimento totalmente atemporal'', analisa a atriz.
- Capitu estréia dia 9 de dezembro, na Globo

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