Capitu é tema de revisão também na ficção
Outro título propõe uma releitura bem específica da obra de Machado. Organizado por Alberto Schprejer, ''Quem É Capitu?'' (Nova Fronteira; R$ 29,90; 176 págs.) debruça-se sobre a personagem de ''Dom Casmurro''. Para Schprejer, o fascínio por Capitu chega a ser maior do que o próprio romance. As releituras, diz ele, têm como ponto de partida as revisões da crítica em relação à obra, dos anos 60, e que propunham não mais ver a personagem como ''maldita ou diabólica''.
O livro inclui textos de um psicanalista (Luiz Alberto Pinheiro de Freitas), uma historiadora (Mary Del Priore) e até um cineasta (Luiz Fernando Carvalho). Segundo Schprejer, o resultado é interdisciplinar sem ser acadêmico. ''Propus que eles fizessem como quisessem. O John Gledson e o Silviano Santiago vêm com um olhar que já esperava, de críticos. Eu esperava uma crônica do Verissimo, por exemplo, mas ele veio com um conto inesperado e genial.''
Lya Luft, que assina ''Capitu: Para que Saber'', pondera que a personagem virou um ''símbolo do chamado mistério feminino'', mas não no melhor dos sentidos. ''Por isso, meio cansada de tanta teoria sobre a moça, que no final era uma chatinha entediada, resolvi me botar na pele dela e inventar o conto'', diz Lya, que relativiza os enigmas em torno de Capitu. ''Enigmas sempre permanecem, na mais singular personagem, na mais banal dona de casa.''
Organizado por Rinaldo Fernandes, ''Capitu Mandou Flores'' (Geração Editorial; R$ 49,90, 528 págs.) reúne 40 escritores e traz não só contos mas também ensaios. O elenco de escritores é composto de Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar, André Sant'Anna, Fernando Bonassi e Nelson de Oliveira, entre outros. Já ''Recontando Machado'' (editora Record; R$ 55, 416 págs.), organizado por Luiz Antonio Aguiar, traz textos de Cíntia Moscovich, Cristovão Tezza e Alberto Mussa, entre outros. (E.S.)





