Cleide Cavalcante
Agência Estado
No sudoeste mineiro, a pequena cidade de Capitólio, a 475 quilômetros de São Paulo, esconde verdadeiros oásis no meio da mata fechada. Cachoeiras de dimensões diversas brotam do meio da vegetação deixando os visitantes extasiados. O fato do turismo ainda não ter se tornado uma indústria tem o seu lado positivo, o da preservação. Aliás, este é um dos fatores que começa a preocupar os moradores da cidade que vê o turismo crescer a cada dia.
A ‘‘Rainha dos Lagos’’, como ficou conhecida, é pequena – tem pouco mais 8 mil habitantes – e hospitaleira. A chegada dos ônibus de turistas ainda desperta curiosidade. O prefeito Antônio Carlos Soares está apostando num convênio com o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae) para alavancar o turismo em Capitólio. ‘‘Eles irão nos dar todo o suporte técnico para o desenvolvimento do turismo na região. Acredito que em três anos, Capitólio terá outro perfil completamente diferente do que se observa hoje’’, comentou Soares, em entrevista à Agência Estado.
Capitólio foi fundada em 1893, pelo explorador de terras Pedro Messias. Até hoje, a agricultura é uma das principais atividades econômicas da cidade, assim como a pecuária e a produção de queijos. Outra fonte de renda do município é o condomínio de luxo Escarpas do Lago, que dá emprego para muita gente da região.
A primeira coisa a fazer em Capitólio é um passeio de balsa pelo imenso Lago de Furnas, que chega a ter uma profundidade de 150 metros. Custa R$ 10,00 por pessoa e dura cerca de três horas. É um excelente programa para relaxar. Fora do verão, dê preferência ao período da manhã, pois à tarde pode ventar muito.
A balsa atravessa um belo cânion, que guarda cachoeiras praticamente intocadas, a mais bonita delas é a do Cânion. A queda d’água, de aproximadamente 50 metros, desemboca numa convidativa baía de águas azul-turquesa. Dá vontade de dar um mergulho mesmo no inverno. Em uma outra cachoeira da represa, a da Lagoa Azul, pode-se descer da balsa, escalar um paredão rochoso, subir cerca de 100 metros, e contemplar uma vista maravilhosa de parte do lago e suas cachoeiras.
A Represa de Furnas, localizada no curso médio do Rio Grande, na Serra do Funil, começou a ser construída em 1957. Inundou uma vastidão de terras e hoje abrange 34 municípios mineiros, com 1.473 quilômetros de extensão. Para apreciar ainda mais esta exuberante paisagem, uma boa opção é almoçar no Restaurante do Turvo, em frente à represa. A comida é boa, farta, bem feita e barata.
Os mais radicais não podem deixar de fazer uma visita à Cachoeira do Lobo, no município de Guapé, distante cerca de 25 quilômetros de Capitólio. Uma boa estrada de terra termina dentro da Fazenda Coromandel, onde os proprietários, Ivanir e Bete, costumam recepcionar os turistas com um delicioso café colhido na própria fazenda. E, na saída, depois de uma boa degustação, é possível comprar saborosos queijos produzidos pelo casal.
Da entrada da fazenda, os turistas atravessam um pasto e caminham mais um quilômetro por dentro da mata até uma área conhecida como Inferno das Moças. Chegando na beira do riacho, de onde já é possível ouvir o barulho da queda d‘água, você ainda estará se perguntando por que motivo uma região tão tranquila foi apelidada como Inferno das Moças.
No entanto, a dúvida irá permanecer por pouco tempo. Para chegar até a cachoeira é necessário caminhar dentro do riacho. No começo é fácil, mas o nível de dificuldade vai aumentando aos poucos até que se chega a um enorme paredão rochoso. A próxima etapa é escalar a encosta, tendo como apoio um cabo de aço. E não é só isso. Ainda resta percorrer um trecho dentro do riacho, pisando em pedras escorregadias, e saltar sobre rochas no meio do rio. Haja fôlego! Porém, vale muito à pena todo o ‘‘sacrifício’’, especialmente para os que estão acostumados a caminhar apenas sobre os carpetes dos escritórios. A Cachoeira do Lobo é deslumbrante, e o contato com a natureza praticamente virgem é uma experiência maravilhosa.
Com acesso bem mais fácil, a Cachoeira do Turvo, a 30 minutos de carro do centro de Capitólio, também oferece um cenário de tirar o ar. Está incrustada na mata fechada e forma um grande lago de águas escuras, porém limpas. Ao seu redor, árvores fazem sombra para quem quiser apenas contemplar o lugar. Com um pouco de sorte, dá para ver pequenos macacos, borboletas coloridas e tucanos.
Na volta, siga para a Trilha do Sol (no km 271 da rodovia MG-050), especialmente se for hora do almoço. A comida lá é excelente e a paisagem, melhor ainda. Descendo um morro, chega-se até um lago de águas transparentes, que forma pequenas quedas d’água, dentro de um dos mais belos cânions da região. Paredões de quartzito cercam o lago, pelo qual se caminha até uma bela cachoeira. Os turistas ficam deslumbrados com este lugar.
No restaurante da Trilha do Sol, o cenário, que tem o Lago de Furnas ao fundo, é outro cartão-postal. Dá para passar uma tarde inteira só observando o horizonte.
Capitólio fica bem pertinho da Serra da Canastra, onde o destaque é a cachoeira Casca D’anta, com 180 metros de altura, a mais alta do Rio São Francisco (a nascente do rio se localiza nesta região).

TOME NOTA
- Como chegar
De carro: A partir de São Paulo, siga pela Rodovia dos Bandeirantes, depois a SP-340 (Campinas/Mococa), a SP-338 (sentido Altinópolis) e a MG-050, passando por Passos, até chegar a Capitólio.
- Endereços
Trilha do Sol, tel: (0**35) 9981-2123; Restaurante do Turvo, Rodovia MG-050, Km 287, tel: (0**35) 523-1783; Hotel Minastur, Rua Cel. Lourenço Belo, 645, tel: (0**37) 373-1309.
- Informações
Na Internet: www.capitolio.mg.gov.brPequena, hospitaleira e bucólica, a cidade localizada no sudoeste de Minas Gerais é conhecida como a Rainha dos Lagos
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