O Capital Inicial está de volta, depois do grave acidente sofrido pelo vocalista Dinho Ouro-Preto, que, em 31 de outubro de 2009, caiu do palco durante um show em Patos de Minas (MG). A banda está lançando o 12º álbum da carreira, intitulado ''Das Kapital'', gravado com um novo produtor e estreia oficialmente sua nova turnê, em São Paulo. É sobre essa expectativa que Dinho fala nesta entrevista.
Quais são as expectativas para essa nova fase?
A gente espera que os fãs gostem do disco e que, com ele, a gente possa fazer uma turnê longa, de um ano e meio, dois anos. Mas, uma das coisas que eu aprendi com o acidente, foi a ter cuidado com planos.
Muitas versões sobre o seu acidente foram divulgadas. Pelo que exatamente você passou?
Eu tive traumatismo craniano, quebrei vértebras do pescoço, vértebras aqui em baixo (aponta para a cintura) e algumas costelas. Com isso, eu não conseguia me mexer. Foi incrivelmente doloroso. Mas o pior foi a infecção hospitalar, que quase me matou. O acidente aconteceu no Dia das Bruxas (31 de outubro), e eu peguei a infecção na sexta-feira 13 seguinte. Um prato cheio para quem é supersticioso (risos).
E a sua recuperação?
Saí do hospital no começo de janeiro, ainda tomando analgésicos. O processo de reabilitação durou até meados de abril, quando acabaram as sessões de fisioterapia. Também precisei de uma fonoaudióloga para voltar a cantar. Pela falta de uso, minhas cordas vocais e o meu diafragma não estavam funcionando tão bem.
Ao mesmo tempo em que esse disco sinaliza algumas mudanças, mantém o som típico do Capital. Isso é intencional?
A maior parte dos artistas de rock no Brasil acaba se afastando do gênero. Uns vão para a MPB, alguns vão para o jazz, outros tentam uma coisa mais experimental. Parece que o artista reconsidera e começa a fazer uma música adulta. O que não acontece fora do Brasil. Aerosmith continua tocando igualzinho e toca para caramba. Metallica a mesma coisa. E o motivo pelo qual essas bandas envelhecem bem é que elas se mantêm fiéis aos princípios de quando começaram. E é isso que norteia a nossa carreira.
É curioso que os fãs de vocês se renovam a cada disco...
Isso é meio inédito no rock brasileiro. É um assunto que me deixa perplexo. A única explicação que eu encontro é que o Capital se permite não mudar. Se você mantém as mesmas características, a sua música vai sempre se dirigir ao mesmo público. Tem apelo para a molecada de 17, 18 anos, com cabelo comprido e frustrações. A maioria do nosso público sempre teve 25 anos ou menos.

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