Capital Inicial estreia turnê em Curitiba
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quinta-feira, 07 de agosto de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Dinho Ouro Preto já é um cinquentão, mas a criatividade e a capacidade de se reinventar ainda estão presentes na sua carreira, com força total. Agora a banda Capital Inicial aposta em um novo formato ao lançar o EP "Capital Inicial: Viva a Revolução", em menos de um ano e meio do seu último álbum ("Saturno"). Com seis músicas inéditas (incluindo uma versão da faixa-título com a participação do ConeCrewDiretoria, coletivo carioca de MC´s), o disco traz novos parceiros, sonoridades diferentes e outras formas de dizer o que pensam. O show de estreia da turnê de lançamento será realizado hoje, no Curitiba Master Hall, em Curitiba, privilegiando a cidade natal do vocalista.
No palco, o público deverá se surpreender com a estrutura de um telão gigantesco, em formato curvo (que permite visão lateral). "Vai ser algo visualmente único e é pouco comum no Brasil as bandas colocarem na estrada esse tipo de estrutura", adianta Dinho Ouro Preto, lembrando que é a terceira vez que estreia uma turnê em Curitiba. O repertório também terá antigos sucessos da banda, com novos arranjos, além de canções de outras bandas de rock nacional, como Legião Urbana e Aborto Elétrico.
Em entrevista por telefone, Dinho Ouro Preto fala do quanto está empolgado com o novo trabalho. Depois de recentemente participar como jurado do reality musical "SuperStar", Dinho não esperava lançar um disco tão cedo. "Não foi premeditado. As coisas foram acontecendo e, quando dei por mim, já tinha uma série de músicas escritas que renderiam um disco", conta.
REPERTÓRIO
As manifestações sociais que marcaram o Brasil desde 2013 não passaram em branco e acabaram por inspirar a tônica das composições, embora o compositor tenha utilizado-se bastante de metáforas para ampliar as ideias apresentadas, em um disco dançante e melodioso. Já o formato de EP seria uma forma mais ágil de dialogar com o público da nova geração e até facilitar o acesso a um produto fonográfico mais barato.
Na produção, o grupo contou mais uma vez com Liminha, que em 1984 foi responsável por produzir o compacto "Descendo o Rio Nilo", logo no início da carreira da banda. Na composição, Dinho Ouro Preto e Alvin pela primeira vez tiveram a participação do ex-vocalista do Charlie Brown Jr. Thiago Castanho. Os três assinam as duas baladas do disco: "Coração Vazio" e a primeira música de trabalho, "Melhor do que Ontem". Apesar do tom romântico, as canções não deixam de ter a ver com o tema que inspirou a banda durante a produção de "Viva a Revolução". "As manifestações permeiam as canções de modo geral, mesmo as mais emocionais. Tudo o que aconteceu recentemente teve um grande impacto para mim, ainda mais sendo de uma geração que lutou pelo fim do regime militar e pela redemocratização do País", destaca. O EP ainda inclui as canções "Tarde Demais", "Bom Dia Mundo Cruel" e "Não Tenho Nome".
DISCURSO POLITIZADO
Filho de cientistas políticos, Dinho Ouro Preto tem um discurso bastante politizado e, apesar de anular o seu voto há alguns anos, diz que este ano está fazendo questão de conhecer pessoalmente cada um dos candidatos à Presidência da República na tentativa de repensar tal posicionamento. "Faço parte de uma grande quantidade de brasileiros, mais de um terço do eleitorado brasileiro, que se sentem desiludidos com a política, órfãos de um líder. Já conheci um dos candidatos, fui até na sua casa, e gostei dele, mas ainda pretendo conhecer todos os outros candidatos", observa.
"Desde a época da banda Aborto Elétrico (criada pelo Renato Russo), no início dos anos 80, já cantávamos 'Que País é Esse?' e realmente esperávamos que quando chegássemos aos cinquenta anos os problemas apontados na canção já estariam resolvidos. Mas o País continua desigual, violento e o que sobra é uma grande dose de ceticismo e um enfado generalizado com a política", acrescenta.
BLACK BLOCS
Sobre a polêmica em torno das ações dos 'black blocs', ele é taxativo: "Discordo totalmente do argumento que utilizam de que as ações violentas são um reação à violência da polícia. Não está certo depredar o patrimônio público ou privado. Apesar dos problemas sociais brasileiros, ainda acredito na democracia representativa e devemos lutar por mudanças nesse sentido. O que o brasileiro quer não é uma grande revolução. Ele quer ter melhores condições de vida, menos violência e bons serviços públicos. Mais soluções práticas e governos mais eficientes".
CLUSTER SISTERS
Fã da banda londrinense Cluster Sisters, que foi uma das finalistas do programa "SuperStar", Dinho Ouro Preto confessa que foi estranho ficar exposto na televisão durante 14 domingos seguidos. "Nunca me expus tanto e tive que me adaptar. Por outro lado, foi a chance de compartilhar a minha experiência musical e dar algumas dicas, algo que sempre sou abordado a fazer no meu dia a dia", afirma. "Na verdade, cada banda vai ter a sua história para contar e mesmo aquela que não saia 'vencedora' pode ter uma carreira promissora. Não existe garantia de sucesso e procurei imprimir um tom mais lúdico, de brincadeira, até porque isso não é uma 'olimpíada' e sempre haverá um 'injustiça inerente' nesse processo de escolha", avalia. O Capital Inicial já tem shows marcados em São Paulo (30/08), Belo Horizonte (13/09) e Rio de Janeiro (27/09).
SERVIÇO
Quando Hoje, à meia-noite (os portões serão abertos às 21 horas)
Onde Curitiba Master Hall (R. Itajubá, 143 Portão), em Curitiba
Quanto Ingressos variam de R$ 76 (meia-entrada) a R$ 246 (inteira), de acordo com o setor. Pista - R$ 146 (inteira) e R$ 76 (meia-entrada); Área VIP borda do violão R$ 246 (inteira) e R$ 126 (meia-entrada) - Área VIP frente ao palco - Esgotado
Pontos de venda - Disk Ingressos (41) 3315-0808 (de segunda a sexta, das 9h às 22h, e aos domingos, das 9h às 18h), portal www.diskingressos.com.br), quiosques Disk Ingresso e no local


