Capitais querem mostrar potencial turístico
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terça-feira, 25 de abril de 2006
Silvia Campos<br>Agência Estado 
São Paulo - Quando se fala em turismo, principalmente num país tropical como o Brasil, a primeira imagem que vem à mente é a de pessoas relaxando em praias maravilhosas. De fato, o turismo de sol e praia representa cerca de 50% da demanda total da indústria mundial, de acordo com o papa do marketing turístico Josep Chias, dono da empresa de consultoria Chias Marketing. Para o Brasil, a praia é um elemento importante para atrair de 50% a 60% dos turistas, afirma Chias.
O que, então, poderia levar turistas a aproveitar momentos de lazer em cidades sem o atrativo da areia e do mar? Algumas das principais capitais brasileiras, que não contam com estas bênçãos naturais, estão determinadas a mostrar aos viajantes que há muito o que fazer longe do guarda-sol.
Já conhecidas por abrigar eventos e pelo turismo de negócios, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre agora apostam na promoção de seu patrimônio cultural e de suas rotas gastronômicas e de compras para atrair turistas ou ao menos fazer com que quem vá a trabalho fique mais uns dias. Quero que o empresário se apaixone por Curitiba e venha depois com a família, afirma o presidente do Instituto Municipal de Turismo da capital do Paraná, Luiz de Carvalho. Atualmente, o turismo cultural representa 10%, mas quero que o turismo de lazer passe a ser 50% do total e o de negócios a outra metade, emenda.
Curitiba pretende contratar a Chias Marketing para promover a cidade só não o fez ainda por falta de verba. Enquanto isso, Belo Horizonte acaba de formalizar um contrato com Chias. Belo Horizonte pode ser a capital da cultura, do teatro... é para isso que contratei o Chias. Ele vai me dar essa cara, espera o presidente da Belotur, Fernando Lana.
Outra aposta de Lana para a capital mineira é o turismo arquitetônico, baseado nas obras de Oscar Niemeyer no conjunto da Pampulha, como a Igreja São Francisco de Assis. Niemeyer é extremamente vendável no exterior. Vou divulgar a arquitetura de Belo Horizonte para arquitetos e grupos de estudantes.
Em Porto Alegre, uma especialista em planejamento de marketing estratégico está à frente da Secretaria Municipal de Turismo: Ângela Baldino, ex-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) no Rio Grande do Sul. A imagem de uma cidade associada a grandes debates ganha depois das três primeiras edições do Fórum Social Mundial, de 2001 a 2003 é aproveitada por ela. Porto Alegre é uma cidade de papo-cabeça. Isso é importante no turismo porque as pessoas buscam mais experiências
do que o local,
afirma Ângela.
Ela quer, no entanto, que a capital gaúcha seja lembrada por mais do que isso. Duas de suas grandes apostas estão no turismo náutico e, ironicamente, no rural. O Rio Grande do Sul só perde para o Tocantins como Estado com a capital com maior espaço rural. 30% de Porto Alegre é área rural-urbana, com produção de pêssego, uvas e locais de lazer com pesque-e-pague, conta. Para incentivar o turismo náutico, a secretária trabalha na recuperação do Lago Guaíba. A restauração do cais fica pronta até o próximo semestre, garante Ângela.


