Buenos Aires, Montevidéu e Santiago têm muito em comum. São as capitais mais meridionais da América do Sul - de Argentina, Uruguai e Chile, respectivamente -, falam castelhano, inspiram segurança, despejam um charme inegável sobre os visitantes e, que beleza!, estão baratas para o bolso do brasileiro. Além disso, gostam de beber vinho (dos bons). Mas eis que à mesa surge a primeira grande diferença entre elas: enquanto a argentina e a uruguaia comem carne vermelha, a chilena prefere esbaldar-se com frutos do mar.
Em respeito à ordem alfabética, vamos começar por Buenos Aires. A relação cambial entre a moeda argentina e a brasileira indica que R$ 1 compra 1,41 peso (se preferir, US$ 1 compra 3 pesos), um ótimo negócio. Se a idéia é fazer valer a vantagem monetária, tome o rumo da Calle Florida, endereço das melhores vitrines. Lembre-se também de dar um pulo na feira dominical de San Telmo.
Evite perder tempo. Num só tiro, vá à célebre Plaza de Mayo, no coração da capital. Ali, você terá a Casa Rosada, o centro do poder, e a Catedral Metropolitana, de 1622, onde fica o mausoléu do heróico José de San Martín. E não deixe escapar os tradicionais bairros de La Recoleta e de La Boca, onde fica El Caminito, rua que sintetiza o mais doloroso e bonito sentimento portenho no compasso do tango.
Assim que tiver ocasião, detenha-se à altura do número 825 da Avenida de Mayo. Eis o lendário Café Tortoni, de 1858, o mais antigo da cidade. Aqueça o espírito com uma taça de chocolate quente ou ordene um vinho tinto. Na dúvida, fique com os feitos com uva Malbec, especialidade do país e excelente relação custo-benefício (há bons rótulos pelo equivalente a R$ 10).
Faça valer a facilidade de acesso, tome um barco e cruze o rio que separa argentinos e uruguaios. Há farta oferta de transporte fluvial - a passagem custa a partir de 74 pesos argentinos e o trajeto leva cerca de 2h30. Uma opção é a Buquebus: www.buquebus.com.
Ao atravessar o Rio da Prata, você vai encontrar Montevidéu, a cidade em que - segundo sugere o ensaísta uruguaio Eduardo Galeano - as pessoas se amam sem dizer e se abraçam sem tocar. É impossível desvencilhar Montevidéu de um profundo sentimento de nostalgia. Com a elegância habitual acentuada no inverno, os moradores da capital do Uruguai parecem eternos figurantes de filmes de época enquanto passeiam por entre as alamedas centenárias da Cidade Velha.
Em Montevidéu, ninguém está autorizado a perder de vista o Mercado do Porto, de 1868, lugar de carnes, pescados, vinhos e artesanato. Perto dali, há a Catedral Metropolitana, de 1790, marco da Plaza Constitución. Invista num passeio pela Peatonal Sarandí, via exclusiva para pedestres cheia de lojas. E deixe-se passear a pé pelas avenidas do Rio da Prata.
Um passeio a pé, por sinal, é o convite que se deve aceitar em Santiago. Limpa e bem cuidada, a capital do Chile inspira um roteiro de um dia, de preferência para ser feito de mãos dadas. Comece pelo Palacio de la Moneda, a casa presidencial. Atrás dele, fica a Plaza de la Revolución, onde há exposições temporárias.
Tome o Paseo Ahumada, exclusivo para pedestres e tomado de estátuas vivas e de casas comerciais. Milhares de pessoas inundam todo dia o calçadão, como cabe a um centro cosmopolita - em Santiago, vivem cerca de seis milhões de habitantes. Mais à frente, vem a Plaza Mayor, com a Catedral e o Museu Histórico e Nacional.
Dali em diante, o caminho troca o nome para Puente. Siga nele até dar de cara com o Mercado Central, seus frutos do mar e suas saborosas empanadas. Vá ao encontro do Parque Florestal, área verde às margens do Rio Mapocho, muito popular entre os casais de namorados. Ali está o Museu de Belas Artes.
Cruze a Ponte Pío Nono rumo a Bellavista, reduto de arte e boemia. Procure por La Chascona (a descabelada), casa do poeta Pablo Neruda (1904-1973). Para fechar em grande estilo, e com muito romantismo, alcance de funicular o cume do Cerro San Cristóbal. Eis o melhor pôr-do-sol de Santiago. Só faltou ter à mão uma garrafa do ótimo vinho tinto nacional. Bom, mas aí a iniciativa é toda sua.

mockup