A catedral de Jacarezinho, no norte pioneiro do Estado, pode ser a próxima obra a ser restaurada pela segunda turma do curso de Técnica em Conservação e Restauração de Pintura Mural da Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Pelo menos é essa a intenção da professora Suely Descher Mayer, coordenadora do curso e responsável pela restauração da capela Cônego José Enser do antigo Seminário Seráfico São Luis de Tolosa, no município de Rio Negro, na divisa com Santa Catarina no Sul do Estado.
A capela, totalmente renovada foi entregue à comunidade no último dia 15, data do aniversário de 130 anos da cidade. Na ocasião, um dos alunos mais ilustres do seminário, o arcebispo cardeal emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, voltou ao local, depois de 61 anos de ausência, para realizar a primeira missa da capela renovada.
‘‘Foi com o objetivo de restaurar construções com essa que nós criamos o curso de restauro, para que os bens culturais e patrimoniais do Paraná sejam preservados’’, afirmou Suely. A primeira turma do curso foi formada em Rio Negro, segundo ela, justamente para poder trabalhar na restauração da capela. ‘‘O trabalho todo levou nove meses, de março até hoje (dia 15)’’, contou. O curso, entretanto, iniciou em janeiro e vai até março de 2001. O restauro da capela contou como aula prática dos 17 alunos que, apesar de continuarem estudando, já tiveram a solenidade de formatura no dia 15 mesmo.
A obra na capela de Rio Negro foi patrocinada pela indústria Souza Cruz, que mantém uma unidade no município e está completando 40 anos. A renovação de todo o complexo do seminário, no entanto, só foi possível graças a uma parceria entre a prefeitura do município, UFPR, Secretaria do Estado da Cultura, a iniciativa privada através da Souza Cruz, além da colaboração da comunidade local. ‘‘Com essa parceria conseguimos renovar um dos mais importantes seminários de todo o País’’, ressaltou o prefeito Ari Siqueira. Tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do município, o seminário é uma referência entre os moradores. Ele fica em uma área de 23 alqueires, no topo de uma colina, podendo ser visto de quase todos os pontos da cidade. O complexo arquitetônico inclui o prédio central, com 8,5 mil metros quadrados - que desde julho do ano passado abriga a prefeitura -, a capela e outras duas edificações.

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