Consagrado em sua carreira como bailarino clássico pelo domínio técnico e expressividade, o quase sexagenário Mikhail Baryshnikov ensinou, na quarta-feira, aos jovens bailarinos presentes na noite de abertura do Festival de Dança de Joinville, que por tratar-se de uma forma de arte a dança não depende apenas do vigor físico.
O maior representante desta vertente artística na atualidade apresentou-se com a companhia Hell's Kitchen Dance no Centreventos Cau Hansen para um público de mais de 4 mil pessoas. A noite também contou com uma participação especial de três alunos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, convidados pelo próprio Baryshnikov, que cumpriram com graça e atenção à técnica a missão de dançar no mesmo palco do ídolo.
O espetáculo começou com o astro da noite contracenando com imagens do jovem Baryshnikov em ação projetadas num telão no fundo do palco. A projeção com o bailarino no auge de sua forma física era o pano de fundo para a coreografia Years Later, de Benjamin Millepied, na qual Baryshnikov encara de forma corajosa a questão da passagem do tempo e suas implicações em uma carreira na qual o desgaste do corpo é determinante.
Com a expressividade característica que fez dele muito mais que um atleta dos palcos, Barishnikov provou porque a dança é em primeiro lugar uma linguagem expressiva que pode ser adaptada a corpos diversos, desde que estes sejam habitados por almas de artista.
O público tomou contato também com dois trabalhos de outra jovem coreógrafa, Aszure Barton, que assim como Millepied é ligada ao Baryshnikov Arts Center, em Nova York. De Barton, a noite teve o solo Rom, executado com perfeição pelo bailarino William Briscoe, e Come In, com todo o corpo da Hell's Kitchen Dance.
Com música original, de Vladimir Martynov, Come In fechou a noite com um conjunto coreográfico de movimentos sutis. E ao lado de um grupo de jovens bailarinos de formação acadêmica, Baryshnikov mostrou mais uma vez que destaca-se pelo domínio de cena e a expressividade. E que ainda que o tempo dos saltos espetaculares tenha ficado no passado, quando trata-se de Baryshnikov a capacidade de comover o público não morre jamais. (D.R.)

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