Cantos entrelaçados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Canções que embalaram infâncias vividas em regiões geograficamente distintas serviram de elo para unir no palco as vozes de dois artistas já conhecidos há mais de três décadas na cena indie paulistana. O compositor paulista Kleber Albuquerque e o cantor brasiliense Rubi escolheram Londrina para o lançamento nacional do show "Contraveneno". O repertório do espetáculo que será apresentado hoje, às 21h30, no Bar Valentino, é formado por clássicos como "Eta Nóis", de Luhli e Lucina, "Como La Cigarra", da poeta argentina Maria Elena Walsh, e "Castelo de Amor", antigo sucesso popular gravado pelo Trio Parada, além de músicas autorais.
O nome do espetáculo se deve ao fato do show reunir canções que navegam contra a correnteza, vão na contramão da contenteza do coro e apostam no princípio ativo da poesia para desenvenenar corações em tempos tóxicos. "Esse show nasceu da vontade de cantar a trançar vozes. Conheço o Rubi há muitos anos e durante um encontro em minha casa a gente pegou o violão e começou a tocar músicas de raiz que fizeram parte da nossa infância. Percebemos que tivemos as mesmas influências musicais que remetem à tradição da música caipira, das duplas sertanejas ouvidas na infância. A partir daí, o repertório começou a surgir de forma muito natural", relata Kleber Albuquerque ao referir-se às canções compostas por Luhli e Lucina ("Eta Nóis") e Trio Parada Dura ("Castelo de Amor").
O compositor salienta que a seleção de canções seguiu o critério da alta densidade poética, com letras que, ainda que não panfletárias, dialogam de forma crítica em relação ao momento atual, revitalizando a assim chamada "linguagem da fresta" em temas como A Banca (composta em "homenagem" a bancada parlamentar) e na própria Contraveneno, a canção que dá título ao show. "Cantaremos ainda músicas minhas como "Milonga da Noite Preta" e "Cantiga de Não Chegar", "Cerol" e "Contraveneno", feitas em parceria com o poeta e produtor Flávvio Alves, além de uma versão folk de Maurício, da Legião Urbana", detalha. Na estreia em Londrina, os artistas estarão acompanhados do multi-instrumentista e produtor Rovilson Pascoal (violões, guitarra e ukulele)
Apesar da afinidade em relação às influências musicais, Albuquerque ressalta os diferenciais dos trabalhos solos desenvolvidos por ele e Rubi. "Sou um compositor que canta e minha obra não se enquadra em um único perfil. Faço samba, bolero, rock e muitos outros estilos sempre dando destaque à poesia em cada canção. Já o Rubi é um intérprete, dono de um timbre único. Um cantor muito singular e especial", afirma.
Nascido em uma família operária de Santo André (SP), Kleber Albuquerque foi embalado por rádios populares, canções sertanejas, rock progressivo, trilhas de novelas e hinos evangélicos. Aos onze anos ganhou de seu pai um violão e, de forma autodidata, aprendeu os primeiros acordes. Formou bandas de rock na adolescência e foi assim que começou a compor, tomando gosto por misturar melodias aos versos que criava, versos esses muito influenciados pelas leituras de Fernando Pessoa, Jorge Luis Borges e Gabriel Garcia Marques e pelas audições do Legião Urbana, Raul Seixas e Queen. O primeiro disco chama-se "17.777.700" e foi lançado em 1997. Logo depois vieram outros, igualmente com nomes estranhos: "Para A Inveja Dos Tristes" (2000), "O Centro Está Em Todas As Partes" (2003), "Desvio" (2007), "Só O Amor Constrói" (2009) e "10 Coisas Que Eu Podia Dizer No Lugar de Eu Te Amo" (2012).
Cantor e ator brasiliense, Rubi é Bacharel em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes da Fundação Brasileira de Teatro. Radicado em São Paulo desde 1992, já dividiu o palco com Elza Soares, Vânia Bastos, Zélia Duncan e Chico César, entre outros grandes nomes da música brasileira.
Lançou seu primeiro CD, Rubi, em 1998, com produção musical e arranjos de Mário Manga. No repertório, músicas de Chico César, Luiz Gonzaga, Zeca Baleiro, Arrigo Barnabé, Carlos Careqa, Celso Sim e Kléber Albuquerque.
Em 2005 lançou o seu segundo CD, "Infinito Portátil", pelo Selo Sete Sóis. Neste mesmo ano Rubi conquistou o 1º lugar na escolha do público e o 3º na escolha do júri do 8º Prêmio Visa MPB, além de ter sido contemplado no Projeto Petrobras Cultural, para a gravação de um disco ao vivo.
Seviço:
Show "Contravento", com Kleber Albuquerque e Rubi
Quando Hoje (quinta-feira), às 21h30
Onde Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486)
Quanto R$ 12


