Cantorias dos paranaenses
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Zeca Corrêa Leite 
A música paranaense ainda não decolou, mas esforços para isso é que não faltam. Vem aí mais uma tentativa, com a realização do Show Gralha Azul, que se espera seja o primeiro de uma série a ser levado a todo o Estado. A apresentação de estréia acontece na sexta-feira, dia 19, às 22 horas, no Studio 1250 (Avenida Paraná, 1250).
A idéia partiu do agitador cultural João Bello, que costumava realizar espetáculos com duração de até 12 horas, no bairro Bacacheri. Nossos artistas são ricos de produção e pobres no evento, lamenta. Nada impede, porém, que surjam projetos com a intenção de fazer com que os músicos sejam finalmente valorizados. É o caso do Gralha Azul.
Queremos semear e ir de encontro ao povo, diz o produtor. Desde janeiro o show vem sendo planejado. Estarão se apresentando no palco do Studio 1250 Zezé e Simões, Jade e Cleber, Grupo Confidência, 2 de Paus, Susie Monte Serrat, Lucimara e Daniel Faria. Esses nomes representam os diversos gêneros: música de raízes, samba, pagode, mpb.
Os artistas apostam suas fichas na proposta, mesmo porque estão detectando no público curitibano uma abertura que antes não existia. Susie Monte Serrat, cantora com anos de profissão, é testemunha dessa mudança. Há uma receptividade maior. Hoje as pessoas demonstram mais interesse, querem saber o nome da música.
É o tipo de público que demonstra conhecimento da música brasileira. Ele é formado por todas as gerações. Às vezes você acha que os jovens não gostam dos clássicos do passado, mas tem muitos interessados em Noel Rosa. O jovem de hoje é mais inteligente musicalmente, afirma Cleber Araújo, da dupla Jade e Cleber. Daniel Faria, cantor e compositor, é da opinião que com mídia e divulgação, não há problemas.
O Show Gralha Azul recebeu esse nome para deixar clara a proposta não só da valorização paranaense, como da semeadura musical Estado afora. Sabe-se que o pássaro enterrava pinhões por onde passava, para alimentar-se depois. Mas como esquecia onde havia deixado o fruto, tempos depois nasciam novas árvores. O projeto é o de semear músicas dos compositores paranaenses, contando com a colaboração das prefeituras municipais.
O poeta Alberto Cardoso que passou a vida cantando sua pacata Morretes, será lembrado no espetáculo. Dono de boteco e declamador nato, recebia sua clientela - inicialmente na Praça Espanha, antes de seguir para outros endereços - com poemas de autores nacionais e internacionais. Mas quando eram seus os versos, vinha junto a imagem de sua terra. Essa exaltação é que o Gralha Azul quer espalhar no Paraná.


