As verdadeiras donas do ‘‘girl power’’ marcam cada vez mais sua presença no pop. Uma nova geração de cantoras negras se firma no mercado internacional conquistando o público e a crítica com trabalhos cheios de personalidade. É o caso de Missy Elliott, Lauryn Hill e Mary J. Blige, as novas porta-vozes do hip hop feminino do fim dos anos 90, que começam a ameaçar o reinado de nomes como Puff Daddy e Coolio.
Além de emplacar nas paradas, elas mostram uma atitude que vai além da exploração do lado sexy e não se contentam apenas em cantar. Produção, composição e participação em filmes são atividades que acumulam com facilidade, formando a geração das mulheres que têm muito a dizer. Outra característica delas é a disposição para o trabalho: todas fazem questão de manter um ritmo difícil de acompanhar.
Missy Elliott é uma das mais proeminentes do grupo. Dona de uma silhueta avantajada, ela prova que a imagem da diva do hip hop usando biquínis apertados e decotes exagerados fica em segundo plano quando se tem talento. Descoberta há oito anos pelo músico Devante Swing, do grupo Jodeci, ela se transformou em uma concorrida produtora e compositora de artistas como AAliya e o grupo SWV. Até que no ano passado resolveu produzir seu próprio disco, ‘‘Supa Dupa Fly’’, que estreou no terceiro lugar da parada da ‘‘Billboard’’ e foi aclamado pela crítica.
Hoje em dia sua agenda é mais do que concorrida. Depois de ser uma das principais atrações da turnê Lilith Fair, ela acaba de produzir a trilha sonora do filme ‘‘Why Do Fools Fall in Love’’, sobre o astro do doo-wop dos anos 50 Frankie Lymon. O disco tem participações de nomes como Mase, Busta Rhymes, Next, Usher e En Vogue. Elliott está preparando seu segundo disco, que deve chegar ao mercado internacional em novembro, e dirigindo seu próprio selo, o Gold Mind Records, cuja primeira artista é a cantora Nicole.
Mary J. Blige não fica muito atrás de Elliott. Seu terceiro disco, ‘‘Share My World’’, estreou no ano passado direto no primeiro lugar da parada. Ela não parou de fazer shows por todos os Estados Unidos desde então, reunindo material para um disco ao vivo, uma movimentação pouco comum para uma artista de hip hop. ‘‘The Tour’’, que chega ao mercado na semana que vem, inclui covers de faixas como ‘‘Daydreaming’’, de Aretha Franklin, e ‘‘Misty Blue’’, de Dorothy Moore.
Sem perder tempo, Blige também entra para o time das empresárias, lançando seu próprio selo, o Mary Jane Entertainment, e está finalizando seu novo disco de estúdio, ‘‘No Happy Holidays’’, que chega às lojas em janeiro. Ela também está na trilha sonora do filme ‘‘When Stella Got Her Groove Back’’, com Angela Bassett e Whoopi Goldberg, que tem tudo para fazer grande sucesso nos Estados Unidos.
Enquanto isso, Lauryn Hill, a vocalista dos Fugees, se prepara para mostrar novos aspectos de sua personalidade com seu primeiro disco-solo, ‘‘The Miseducation of Lauryn Hill’’. Fazendo questão de se distanciar de seus parceiros de banda, a cantora assumiu todas as tarefas do trabalho, que inclui composições inspiradas no nascimento de seu filho, Zion, e reflexões sobre relacionamentos. O disco, que contém um cover do clássico de Frankie Vally ‘‘Can‘t Take My Eyes Off You’’, tem participações de Mary J. Blige e do cantor de rhythm & blues D‘Angelo.
Depois de promover o disco e fazer shows, Lauryn deve participar como atriz na versão cinematográfica do musical da Broadway ‘‘Dreamgirls’’, próximo projeto do diretor Joel Schumacher. Ela deve fazer o papel de Deena Jones, a integrante de um grupo vocal de garotas inspirada em Diana Ross, na produção que vai ser rodada em Los Angeles, Las Vegas e Nova York a partir de março.

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