Se tudo correr como previsto, a passagem dos 30 anos de morte de Elis Regina (1945-1982) será lembrada à altura de seu prestígio como a maior entre as maiores cantoras modernas do Brasil.
O relançamento dos 21 álbuns que ela gravou pela Universal, além de dois CDs de raridades, encabeçam o pacote de novidades para a temporada. Há ainda um documentário de seis horas de duração, exposição, biografia, livros de fotos e shows de Maria Rita (filha de Elis) por cinco cidades do País interpretando exclusivamente canções gravadas pela mãe.
Em Londrina, ela será homenageada no tributo ''Viva Elis'', no qual cantoras locais fazem o mesmo que Maria Rita numa série de quatro shows semanais no mês de janeiro. O evento, já tradicional na cidade, é promovido todo ano - desde 1992 - pelo bar Valentino. Será a 21 edição.
Indayana Oliveira abre a programação nesta quinta-feira, seguida de Thaise Ferrari (dia 12), Gabriela Catai (19) e Rakelly Calliari (26). Todos os shows começam às 21h30, com couvert a R$ 8. Indayana será acompanhada pelos músicos Mizão (guitarra), Rafael Fuca (violão), André Mendes (contrabaixo) e Rogério Oliveira (bateria).
É a sexta vez que ela participa do tributo. ''Elis era uma cantora completa. Além de possuir uma voz excepcional, era uma intérprete com muitos recursos e tinha uma grande presença de palco'', diz a admiradora. Para o show, ela preparou um repertório diversificado com incursões pelos vários ritmos visitados pela diva.
''Gosto de tudo que ela gravou: samba, soul, blues e baladas. Por isso, vou cantar um pouco de cada gênero. Algumas músicas já fazem parte de meu repertório fixo, como 'O Bêbado e a Equilibrista' (João Bosco-Aldir Blanco), 'Trem Azul' (Lô Borges-Ronaldo Bastos) e 'Casa no Campo' (Zé Rodrix); outras vou cantar pela primeira vez como 'Bala com Bala' (João Bosco), 'Black is Beautiful' (Marcos e Paulo Sérgio Valle) e 'Se eu quiser falar com Deus' (Gilberto Gil)''.
Para Indayana, a idolatria a Elis permanece viva, três décadas após sua morte (ocorrida em 19 de janeiro de 1982, por overdose de cocaína). ''Percebo isso entre pessoas da minha idade, gente mais madura e gente mais nova. Em todas as vezes anteriores que fiz esse especial, vieram pessoas conversar comigo para falar dela'', conta.
Nascida em Londrina, a cantora de 32 anos tem 17 anos de carreira. Versátil, mantém duas linhas de shows - uma de black music (soul, funk e disco) e outra em que mescla MPB, samba e pop. Já participou como backing vocal nos CDs ''Pronto Pra Noite'' do cantor de hip hop Sergin; ''Desafio'' da banda de rock Surface; e da ''Fábrika da Rima'' do grupo de rap feminino homônimo dirigido por MC Rei.
Há 5 anos gravou uma demo artesanal de MPB com dez canções inéditas de compositores locais - entre eles Fernando Stelzer (Badaró), Osvaldo Gaion e Marcos Mathias. Planeja lançar esse material num CD, o primeiro de sua carreira. ''Quero gravar todas as músicas num estúdio profissional'', afirma.
''Tenho buscado patrocínio tanto do empresariado privado quanto inscrevendo o projeto de gravação no Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), mas até agora não consegui recursos. Vamos ver este ano.'' Se as tentativas forem mal-sucedidas mais uma vez, ela pretende encarar o projeto de forma independente: gravá-lo aos poucos registrando as faixas de acordo com a verba disponível a cada mês.

Serviço:
- Tributo ''Viva Elis''
Shows com Indayana Oliveira (dia 5/01), Thaise Ferrari (12/01), Gabriela Catai (19/01) e Rakelly Calliari (26/01)
Onde - Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486), em Londrina
Couvert - R$ 8
Informações - (43) 3348-0791

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