Cantora siberiana se apresenta em São Paulo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 27 (AE) - Sainkho significa "luz do sol". É o nome artístico da impressionante cantora Ludmilla Graf, nascida na pequena ex-república soviética de Tuva, ao sul da Sibéria, perto da fronteira com a Mongólia. Ela é mestra num antigo canto asiático que permite a reprodução de dois sons simultâneos, mediante articulação de boca, laringe e língua.
Sainkho, que chegou hoje a São Paulo e se apresenta pela primeira vez na América do Sul, é a atração de amanhã no Todos os Cantos do Mundo, festival de música étnica que está em curso no Sesc Pompéia. Ela canta às 21 horas, logo depois da apresentação do Quarteto Romançal, de Pernambuco.
"Este é um país muito musical e não sei como será a reação da platéia, mas prometo fazer o melhor que puder", disse a cantora hoje pela manhã, logo após desembarcar na cidade. O registro vocal de Sainkho varia entre soprano e barítono e ela mistura às formas religiosas da tradição xamânica e budista sons new age e variações do jazz.
"Minha escola foi a música tradicional, que eu comecei cantando quando ainda era criança", conta a cantora, cujos avós eram nômades siberianos. "Mas eu também já cantei ópera, posso sustentar uma postura de soprano em uma ópera ocidental", pondera. Sainkho estudou no Gnesinsky Institute de Moscou, onde se formou em música.
Com sua leitura modernizada da tradição montanhesa, ela já conquistou meio mundo. A turnê de lançamento do álbum Sayani levou-a para Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Canadá. Atualmente, promove seu novo disco, Naked Spirit. É um trabalho que a aproxima muito mais do rótulo world music.
Já o Quarteto Romançal, primeira atração da noite no Sesc, foi criado como um braço musical do Movimento Armorial, de Ariano Suassuna. A princípio, era o Quinteto Armorial. O Armorial foi um movimento criado para restabelecer o contato de artistas nacionais com a cultura brasileira.
O violonista e compositor Antônio Madureira tem sido, desde os anos 70, o líder do conjunto. A princípio, o grupo utilizava instrumentos nacionais, como os pífanos, a rabeca, a viola brasileira e o marimbau. Depois, adotou a atitude de um quarteto clássico de música erudita.
Além de Madureira, o Romançal tem como integrantes Aglaia Costa (que é também integrante da Orquestra Sinfônica do Recife), Sérgio Campelo (do Conservatório Pernambucano de Música) e João Carlos Araújo Madureira (também da Sinfônica do Recife, onde é chefe do naipe de violoncelo).
O festival Todos os Cantos do Mundo começou na semana passada com uma apresentação festiva. Depois de Ed Motta e seu show de funk e soul, entrou o argelino Kadda Cherif Hadria, que levantou o Sesc com sua ra music turbinada com metais e guitarras. Também ocupou o palco, no sábado, o bailarino espanhol Joaquín Ruiz, que faz um flamenco tradicional. A festa multicultural prossegue até domingo, quando canta o congolês Sam Mangwana, "o príncipe que faz dançar", segundo o diário francês Libération.
Serviço - Sainkho (Sibéria). No projeto Todos os Cantos do Mundo. Amanhã e sexta-feira, às 21 horas. De R$ 7,00 a R$ 14 00. Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, em São Paulo. Tel. (011) 3871-7777.


