Cantora mineira Ceumar lança seu primeiro CD com produção de Zeca Baleiro
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2000
Por Mauro Dias 
São Paulo, 12 (AE) - A voz é doce, mas forte. É segura e delicada. Os graves são bem pronunciados, os agudos, brilhantes. O nome dela é Ceumar. Vem de Minas Gerais. Andou percorrendo o circuito dos festivais do interior. Destacou-se em vários. Principalmente no de Avaré (SP), 1996, quando defendeu a canção "Dindinha", de Zeca Baleiro, feita para ela, que a qualificou: "A voz da delicadeza nestes tempos furiosos".
"Dindinha" não venceu o festival, mas foi uma das músicas inesquecíveis daquele ano. E dá nome ao disco de estréia de Ceumar, lançamento da Atração Fonográfica. Se você tiver dificuldade de encontrar o disco nas lojas, consulte o site da gravadora: www.atracao.com.br. Ou fale diretamente com a cantora
pelo endereço eletrônico [email protected]. "Dindinha" tem produção de Zeca Baleiro, co-produção de Ceumar
produção executiva de Tata Fernandes, direção artística de Ceumar, Tata e Zeca. A cantora assina também quase todos os arranjos de base.
É importante mencionar essa ficha técnica. Tata é parceira de Zeca Baleiro e Chico César. São três artistas que têm demonstrado viva preocupação em dar força aos nomes novos. O mercado exclui os novos, desdenha deles. A turma aí de cima faz o possível para que eles não desistam no meio do caminho. Coisa tão importante quanto a obra artística de cada um deles.
Ceumar aparece acompanhada por ótimos músicos, com destaque para os jovens e brilhantes Webster Santos, violonista, Pedro Macedo, contrabaixo, Luiz Cláudio, pandeiros. O grande violonista Swami Júnior (outro que está sempre próximo dos novos) também aparece. O time confere ao disco unidade sonora, consistência, fisionomia.
Não só isso, não só eles, claro. O repertório é cuidadosíssimo e variado. Vem da delicada "Dindinha" para o áspero "Banzo", de Itamar Assumpção, uma de suas melhores peças novas (é de 1996). Volta a Zeca Baleiro com "Cantiga", que tem leve sabor de anos 60, na construção poética (na maneira de lidar com as sílabas, costurando no fio da sonoridade palavras em inglês, português, italiano) e também no arranjo de violões de corda de aço e cordas soltas. Aqui, Ceumar toca o primeiro violão - ela é ótima violonista, como se o mais não bastasse.
Continuando com o repertório: Ceumar dedica a Pena Branca e Xavantinho o "Maldito Costume", que Sinhô compôs em 1929, e vai aos anos 70 e 80 em duas composições de Josias Sobrinho, a canção "As Perigosas e a roda Rosa Maria", que tem um coro de estrelas (Chico César, Zeca, Vanessa da Mata, Vange Milliet) e a participação do acordeonista Toninho Ferragutti.
Zeca aparece outras vezes: em "Boi de Haxixe" e em "Pecadinhos" (com Tata Fernandes). São belas composições. "Pecadinhos" é a mais bonita delas (embora não seja mais bonita do que Dindinha). Diz: "Eu que vivo na flauta/ Vivo tão pianinho/ Vou virar astronauta/ Pra aprender o caminho". Nada de singelo, embora possa parecer, assim escrito, sem a melodia que determina a música.
Como é intensa a toada "Geofrey, a Lenda do Ginete", de Chico César. Ceumar está bem cercada, certo. Mas soube escolher, dos compositores, o que era mais próprio para sua maneira peculiar de interpretação. Grandes cantoras, experientes
têm-se perdido por não possuir, ou abrir mão de, tal sabedoria.
Ela vai mais longe: puxa o quebra-queixo forrozeiro "Gírias do Norte", de Jacinto Silva e Onildo Almeida ("O Zé do Brejo quando se casariô/ Ele me convidariô/ Pra uma quadrilha
eu marcariá/ Marcariei uma quadrilha ritmada/ Fomo até de madrugada/ Todo mundo cum seu pariá"). E, já que o assunto é (continuando sendo) Nordeste, é preciso um Gonzaga - no caso, o escolhido foi o baião "Olha pro Céu", tratado de forma lenta, Ceumar dobrando as vozes para construir um coro de sutis nunces.
Por algum motivo, destoando um pouco do repertório, entra um "Let it Grow", de M. Dunford e B. Tatcher. É uma bonita balada, mas haveria outras, em português, que completariam melhor o CD, de resto perfeito. Feito o desconto, Ceumar fez de "Dindinha" um disco luminoso, marcando uma estréia que honra a fonografia. É uma estrela sofisticada com todas as qualidades, as necessárias e as mais que suficientes, para fazer sucesso popular.


