São Paulo - Morreu hoje, aos 68 anos, o músico fluminense Antônio José Waghabi Filho, o Magro, integrante e arranjador do quarteto MPB4. Ele estava internado no hospital Santa Catarina, em SP. Desde 2002, lutava contra um câncer de próstata.
As experiências musicais que resultariam no MPB4 começaram em Niterói (RJ), em 1962. O grupo ganharia esse nome só dois anos depois.
Batizado simplesmente de ''MPB4'', o primeiro álbum do grupo veio em 1966 e apoiava-se sobretudo no repertório de Chico Buarque - nome que norteou a carreira do grupo durante todo o tempo.
A partir de então, passaram a lançar discos quase anuais - rareando um pouco a partir dos anos 1990. Os mais cultuados são ''Deixa Estar'' (1970), ''De Palavra em Palavra'' (1971) e ''Cicatrizes'' (1972), criados no período em que o grupo se tornou mais militante no embate conta a ditadura.
O talento de Magro como arranjador vocal ganhou repercussão nacional em 1967, quando ele criou a complexa trama que unia a voz de Chico Buarque às dos quatro meninos do MPB4 em ''Roda Viva'' (Chico Buarque), canção defendida pelos cinco no III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record.
Também é dele o arranjo vocal da gravação original de ''Cálice'' (Gilberto Gil/ Chico Buarque), cantado por Chico e Milton Nascimento no álbum ''Chico Buarque'' (1978).
Em 1977, aceitou o convite de Chico para interpretar - não apenas cantando, mas também interpretando - o Jumento no álbum ''Saltimbancos'', clássico instantâneo que alimenta até hoje o imaginário infantil.
Dedicado a boleros, ''Contigo Aprendi'', trabalho mais recente do MPB4, foi lançado em junho passado.
O corpo de Magro será cremado amanhã, às 11h, no crematório da Vila Alpina (SP). O músico deixa mulher e dois filhos.

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