São Paulo, 09 (AE) - Na segunda eliminatória do "Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal", mais uma vez o destaque ficou para uma voz masculina. Os quatro candidatos da noite de segunda-feira apresentaram-se na Sala Rubens Sverner, do Teatro Cultura Artística. A maranhense Anna Torres foi a primeira a cantar, seguida pela paulistana Ana Luiza, pela paraense Rita Errico e pelo carioca Dudu Salinas.
Eles estão entre os 24 selecionados do concurso, que recebeu quase 1.300 inscrições de cantores, cantoras e grupos vocais de todo o País. Concorrrem a R$ 63 mil em prêmios - o grande vencedor receberá R$ 40 mil e gravará um disco pela Eldorado. É o maior prêmio já oferecido em concursos musicais brasileiros de qualquer gênero.
O nível dos concorrentes é muito bom. O confronto direto deles estabelece preferências que o próprio público manifesta. O que torna mais difícil a tarefa do júri, formado pelo maestro Nelson Ayres, que o preside, pelo violonista Paulinho Nogueira e pela cantora Jane Duboc (a cada semana há um jurado convidado).
O cantor Dudu Salinas foi aplaudido, na segunda-feira, durante a interpretação das músicas que selecionou para sua apresentação. Tocando violão e acompanhado por ótimos guitarrista e contrabaixista (a qualidade dos acompanhantes não está em julgamento), o cantor carioca tem bela voz, balanço impecável, ótima presença de cena. Sob todos os aspectos, um profissional pronto para a cena mais sofisticada. No entanto, injeta excesso de sotaque soul no samba. Como se misturasse João Bosco com Ed Motta. O acento soul é desnecessário e entra em choque com os versos de Noel Rosa, de Gilberto Gil, de João Bosco.
Caberá discutir as propostas estéticas dos concorrentes? Certamente que sim (mesmo que a opinião não esteja refletindo, necessariamente, a dos jurados), porque da edição vocal do Prêmio Visa surgirão os novos grandes cantores da cena musical brasileira. Se Dudu Salinas se ativer mais a Vila Isabel, será uma grande contribuição. Estética.
Anna Torres, a cantora que abriu a noite, tem voz impressionantemente precisa - demonstrou-o quando abandonou o pulso pop e interpretou, lenta e emocionadamente, a valsa Luiza, de Tom Jobim. Poderia deixar de lado certos tiques ofegantes e de rouquidão. Sobretudo, mais uma vez, poderia deixar de lado o sotaque soul, um contágio que se está mostrando abrangente.
A paraense Rita Errico, há cinco anos radicada em São Paulo, mostrou que tem cancha de palco e capacidade de animar a platéia. Como todos os candidatos até agora ouvidos, é dona de ótima voz e domina seu ofício.
A paulistana Ana Luiza selecionou um repertório extremamente sofisticado, mas não pôde aproveitá-lo basicamente porque os músicos que a acompanhavam a deixaram solta no ar, mais preocupados com as próprias performances (e eles não estavam em julgamento) do que em fornecer apoio à figura principal em cena. Mas ela é uma cantora que merece toda a atenção, um talento a ser reconhecido.

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