O coro Madrigal de Londrina, que tem a regência do maestro Othônio Benvenuto, cumpre neste final de semana uma agenda de quatro apresentações no Rio de Janeiro. A maratona musical começa hoje, às 17 horas, na sede do Corpo de Bombeiros, e logo em seguida, às 19h30, está marcado um concerto na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Amanhã, o coro se apresenta na sede da Moderna Associação Brasileira de Ensino (Mabe), dentro da programação denominada ‘‘Noite de Arte’’, às 19 horas.
No domingo acontece a mais importante apresentação, marcada para as 17 horas, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Trata-se de uma participação especial dentro do concerto comemorativo aos 100 anos de fundação da Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros. Nesse evento, o Coro Madrigal de Londrina se une a outras vozes de coros convidados, perfazendo cerca de 500 cantores. O repertório desse concerto será ‘‘Vá Pansiero’’ (da ópera ‘‘Nabuco’’, de Verdi), ‘‘Nessun Dorma’’ (da ópera Turandont, de Puccini) e ‘‘Brindis’’ (da óperda La Traviata, de Verdi).
O coro foi convidado em função de o maestro Othônio Benvenuto ter sido um dos regentes da Banda Sinfônica, entre 1962 e 1973. Mantida pelo Governo do Estado, a corporação é considerada um fenômeno musical por causa da sua longevidade e também pelo zelo na escolha de regentes, músicos e repertório (veja texto nesta página) .
Para as apresentações no Rio de Janeiro, o coro Madrigal de Londrina vai com 46 vozes - 30 femininas e 16 masculinas -, 26 das quais recrutadas há cerca de três meses, através de testes, pelo próprio Benvenuto. O repertório das três apresentações, coerente com a proposta do coro, fundamenta-se principalmente na Música Popular Brasileira e música latina.
Da primeira parte constam, entre outras, ‘‘Ay, Linda Amiga’’ (autor anônimo do século 16), ‘‘Pobrecito Corazon’’ (folclore colombiano), ‘‘Volver’’ (Carlos Gardel e Alfredo le Pera) e ‘‘Alma Llanera’’ (P.E. Gutierrez) e ‘‘Swing Low, Sweet Chariot’’.. Na outra parte, estão ‘‘Rosa Amarela’’ (Villa Lobos), ‘‘Travessia’’ (Milton Nascimento e Fernando Brant), ‘‘Asa Branca’’ (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), ‘‘Roda Carreta’’ (Paulo Ruschel), ‘‘Banzo Maracatu’’ (Dimas Sedícias) e ‘‘Moro onde não mora ninguém’’ (Agepê).
O Madrigal de Londrina foi criado em abril de 1991, quando Othônio Benvenuto deixou o posto de regente do Coro da Universidade Estadual de Londrina. Desde sua criação, o coro já fez perto de 50 apresentaçõe, inclusive no exterior. A mais recente excursão para fora do País aconteceu no ano passado, durante o Festival Internacional de Coros - Cantapueblos/95, em Mendonza, Argentina.
Marca de maestro A participação do Madrigal no concerto comemorativo da Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros pode ser interpretada como uma espécie de homenagem a Othônio Benvenuto. Durante sua permanência na função de regente - através de concurso público - ele conseguiu imprimir sua marca registrada. ‘‘Nessa época a Banda Sinfônica passou a fazer temporadas regulares, contando com a presença de solistas internacionais como Arnaldo Estrella e Jacques Klein’’- orgulha-se o maestro.
Em outras palavras, Benvenuto conseguiu imprimir uma orientação clássica ao repertório - até então baseado em marcha-rancho, sambas e aberturas de ópera de clássicos ligeiros como ‘‘O Guarani’’ - sem prejudicar a tradicional inclinação da banda para a musica popular. Além disso, durante sua gestão, o maestro conseguiu ampliar o efetivo de músicos e viabilizar a compra de instrumentos novos.
Por causa das inovações, o maestro recebeu várias condecorações, inclusive o título de Cidadão Carioca, outorgado pela Assembléia Legislativa do Estado da Guanabara. O maestro deixou a corporação somente para ocupar a cadeira de professor titular da Universidade Federal de Santa Maria (RS). Em 76, ele se transferiu para a Universidade Estadual de Londrina, onde trabalhou como maestro e professor do Departamento de Artes até 95. Benvenuto foi o organizador da Orquestra Sinfônica da instituição, entre 84 e 88.
Aos 71 anos, dos quais 43 dedicados à música, o cearense Othônio Benvenuto já participou também de algumas gravações de disco. A mais famosa delas é a regência que fez para a ópera ‘‘O Guarani’’, em 69, que é usada como prefixo do programa ‘‘A Voz do Brasil’’. Atualmente, ele dirige o Estúdio Pró-Música, de Londrina.

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