Cannes - A atriz americana Jane Fonda e sua colega chinesa Gong Li inauguraram, nesta terça-feira (12), o 79º Festival de Cannes, em uma cerimônia na qual o cineasta neozelandês Peter Jackson, autor da trilogia "O Senhor dos Anéis", recebeu uma Palma de Ouro honorária.

"O cinema sempre foi um ato de resistência", disse Fonda, lembrando que no Festival de Cannes "primam os relatos, prima a coragem de contar". "Celebremos a audácia, a liberdade e o enorme ato de criação", afirmou, antes de declarar o festival aberto.

Com um ambiente artístico vibrante, mas também um reflexo da turbulência mundial, o maior festival de cinema do mundo terá mais de 100 filmes na programação, 22 dos quais concorrem à Palma de Ouro.

Pelo tapete vermelho colocado na famosa escadaria do Palácio dos Festivais passarão, nas próximas duas semanas, muitas estrelas, como os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz, que competem em filmes separados, ou outro casal de atores na vida real, Michael Fassbender e Alicia Vikander, que participam do filme sul-coreano "Hope".

New Zealand director, screenwriter and producer Peter Jackson receives his Honorary Palme d'Or on stage during the Opening Ceremony at the 79th edition of the Cannes Film Festival in Cannes, southern France, on May 12, 2026. (Photo by Sameer AL-DOUMY / AFP)
New Zealand director, screenwriter and producer Peter Jackson receives his Honorary Palme d'Or on stage during the Opening Ceremony at the 79th edition of the Cannes Film Festival in Cannes, southern France, on May 12, 2026. (Photo by Sameer AL-DOUMY / AFP) | Foto: SAMEER AL-DOUMY

A atualidade geopolítica também acabará se infiltrando no festival, embora às vezes a mostra seja criticada por não se posicionar o suficiente diante dos conflitos ou das crises.

Há alguns meses, a Berlinale se viu mergulhada justamente em uma forte polêmica sobre sua dimensão política e sua suposta indiferença diante da guerra de Gaza.

O júri desta edição, muito diverso e presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook, foi confrontado nesta terça-feira com perguntas sobre o dilema entre cinema e política, como aconteceu em fevereiro no festival alemão.

"Não acho que devamos separar a arte da política, é um conceito estranho querer opor as duas coisas", disse Park Chan-wook durante a entrevista coletiva do júri. "Simplesmente porque uma obra traz uma mensagem política, ela não deveria ser considerada inimiga da arte", acrescentou.

Outro membro do júri, o roteirista britânico Paul Laverty, colaborador habitual do cineasta Ken Loach e conhecido por suas posições de esquerda, aproveitou a entrevista coletiva para ser muito mais crítico.

"Vemos tanta violência sistemática, o genocídio em Gaza e todos esses conflitos horríveis", declarou, acusando Hollywood de boicotar Susan Sarandon, Javier Bardem ou Mark Ruffalo por denunciarem "o assassinato de mulheres e crianças em Gaza". "Vergonha para Hollywood", ressaltou.

CORRIDA

Na corrida pela Palma de Ouro para suceder ao vencedor do ano passado, "Foi Apenas Um Acidente", do iraniano Jafar Panahi, 22 filmes competem pelo principal prêmio, dos quais apenas cinco são dirigidos por mulheres.

Entre os aspirantes se destacam diretores habituais desta lista seleta, como o russo Andrey Zvyagintsev ("Leviatã") ou o iraniano Asghar Farhadi ("A Separação"), premiados várias vezes. Para dois deles, o japonês Hirokazu Kore-eda ("Assunto de Família") e o romeno Cristian Mungiu ("4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias"), seria sua segunda Palma de Ouro.

Com "Natal Amargo", o espanhol Pedro Almodóvar aspira pela sétima vez a se consagrar na Croisette. Embora a mostra tenha premiado seus filmes em várias ocasiões, com prêmios de interpretação ou roteiro, a Palma de Ouro resiste.

Outros dois filmes espanhóis são candidatos ao principal prêmio: "El Ser Querido", de Rodrigo Sorogoyen, com Bardem interpretando um cineasta famoso que oferece um papel à filha atriz, e "La Bola Negra", de Javier Ambrossi e Javier Calvo, sobre três homens homossexuais em três épocas diferentes e cujo elenco inclui Penélope Cruz e Glenn Close.

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