CANNES E O FUTURO DO CINEMA
Cineastas, técnicos, trabalhadores de cinema, artistas, intelectuais - todos se reuniram durante dois dias, no início da semana em Cannes, para debater Le Cinéma a Venir. O encontro serviu de prólogo ao 53º Festival Internacional do Filme e teve peso considerável: a ministra da Cultura da França, Catherine Tasca, comandou a abertura no dia 9 e o primeiro-ministro, Lionel Jospin, fez o encerramento no dia seguinte. O computador possibilita desdobramentos estéticos, econômicos e artísticos inelutáveis. Ele proporciona hoje os meios de melhor apreciar a dinâmica na qual a sétima arte está engajada. Esta reflexão deve reunir criadores de todos os horizontes com seus parceiros de produção, quer sejam independentes ou grandes grupos internacionais, e os estados que devem criar uma regulamentação à altura dos anseios culturais, disse a ministra.
Particularmente prestigiado, o círculo de debatedores reunido pelo Festival e pelo jornal Le Monde resumiu da melhor maneira possível o cinema de hoje e de amanhã, em toda sua diversidade. De Brian DePalma a Erick Zonca, Yussef Chahine, Catherine Breillat, os irmãos Jean-Luc e Jean-Pierre Dardenne, Atom Egoyan, Walter Salles, Mira Nair, Samira Makhmalbaf, Idrissa Ouedraogo, Sam Mendes, Wim Wenders, Jean-Paul Rappeneau e o dinamarquês Thomas Vinterberg, convidado do Filo-2000 para debater em Londrina, no início de junho, o Dogma 95, justamente uma das alternativas de criação que se apresentam para a próxima década.
Os debates permitiram confrontar as oportunidades e os riscos deste novo século, ligado definitivamente às novas tecnologias computadorizadas. No capítulo das inquietações: censura política e econômica em vigência em muitos países, a banalização de obras e sobretudo os problemas ligados aos novos sistemas de distribuição próprios ao computador, particularmente à Internet. Do ponto de vista global, a inquietação de alguns não foi suficiente para ocultar o entusiasmo geral. Otimismo de resto perfeitamente encarnado por Vinterberg e Wim Wenders. Os cineastas devem ser levados pela curiosidade, não pela ansiedade, disse Vinterberg, hoje autor do cinema-referência de utilização de novas câmeras de vídeo. Uma opinião apoiada por Wenders, que enfatizou energicamente: O computador é uma verdadeira explosão de possibilidades, na criação mas também na distribuição. E neste contexto, a sala de cinema apresentará mais do que nunca seu interesse e sua especificidade. A única questão que os cineastas devem propor é que experiência eles devem tirar do primeiro século do cinema.
Carlos Eduardo Lourenço Jorge está em Cannes a convite da organização do festival.





