A vinte dias da abertura oficial, Cannes repete o ritual e anuncia, durante coletiva, as novidades de seu festival anual. Para esta 55º edição, a curadoria divulgou uma seleção marcada por ‘‘um programa balanceado, que buscou o equilíbrio entre critérios estéticos e geográficos’’. Cannes também quer combater a idéia de que os filmes que mostra estão distantes do público, limitados ao gueto da arte. Para isso, abre este ano com uma comédia, ‘‘Hollywood Ending’’, de e com Woody Allen. E fecha com o último e sempre light Claude Lelouch, ‘‘And Now, Ladies and Gentleman’’.
Ao todo são 21 longas em competição, outros 21 na seção paralela ‘‘Un Certain Regard’’ e outros 5 fora de competição, extraídos de um total de 939 filmes inscritos e representando 89 países - 27 por cento a mais do que em 2001. Na competição oficial, alguns realizadores veteranos (Mike Leigh, David Cronenberg, Ken Loach, Manoel de Oliveira, Marco Bellochio, Abbas Kiarostami, Roman Polanski), outros menos cotados (Olivier Assayas, Nicole Garcia, Garpard Noé, Alexander Payne) e quatro estreantes no evento (Paul Thomas Anderson, Michael Moore, Elia Suleiman e Jia Zankhe) sobem a escadaria do Palais de Festivals. Inglaterra e França estão de volta com força, respectivamente com três e quatro filmes. Uma das novidades é um filme palestino concorrendo à Palma de Ouro, bem como um israelense, ambos falando sobre paz. Outras novas entradas são do Líbano e Síria. O Brasil, a princípio cotado para concorrer com ‘‘Cidade de Deus’’, de Fernando Meirelles (‘‘O Menino Maluquinho’’, ‘‘Domésticas’’), acabou não entrando - o filme vai ser exibido apenas fora de concurso. Um curta metragem de Walter Salles (que está no júri de longas) e Daniela Thomas também foi selecionado.
No olho do furação digital, Cannes pretende fazer história. Quatro longas da competição oficial foram realizados com tecnologia digital, enquanto outros serão projetados diretamente naquele formato. Já por um bom tempo utilizada na realização de filmes, a digitalização começa a ocupar espaço também nas salas de projeção. As vantagens e desvantagens de ambas as vias vão ser novamente objeto de discussão durante forum de realizadores.
No item homenagens, uma programação também intensa. Os 50 anos da revista ‘‘Positif’’ e os diretores Alain Resnais, 80, e Jacques Tati, falecido há 20 anos, estão no centro das atenções. Três obras-primas de Tati (‘‘Mon Oncle’’ e ‘‘Jour de Fete’’ vão ser projetadas em telas gigantes suspensas sob as águas na baía Cannes, em frente à praia Macé, ao longo de todas a Croisette. Pelo que se antecipa, muito glamour para comemorar os 55 anos do Festival.
No júri de longas, o presidente David Linch vai contar com as atrizes Sharon Stone, Michele Yeoh (‘‘O Tigre e o Dragão’’) e Christine Hakim (‘‘Indonésia’’) e com os colegas Walter Salles, Claude Miller, Raoul Ruiz, Bille August e Régis Wargnier.

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