Não há festival internacional tão antecipado e com mais mediatismo do que este eterno Cannes. Que abre oficialmente hoje à noite com "Café Society", a comédia anual a que Woody Allen nos habituou. Além de um tapete vermelho com certeza congestionado de celebridades – Marion Cottilard, Julia Roberts, George Clooney, Jodie Foster, Robert De Niro, Javier Bardem, Charlize Theron, Kristen Stewart, Juliette Binoche, Isabelle Huppert, Steven Spielberg, entre muitas outras – um dos destaques desta 69ª edição é o regresso do Brasil à competição, com Sonia Braga como protagonista de "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho. O filme concorre à Palma de Ouro ao lado de nomes consagrados como os irmãos belgas Jean Pierre e Luc Dardenne, o inglês Ken Loach, Jim Jarmush e Pedro Almodóvar, outra esperada volta à competição.

Mas boa dose de apreensão cerca a mostra. Desde que foi anunciada a seleção oficial, em meados de abril, a organização do festival vem se preparando ativamente para intensificar medidas de segurança, numa França ainda abalada pelos atentados de Paris em 14 de novembro do ano passado. Ontem, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, esteve em Cannes para "controlar o dispositivo de segurança", segundo suas palavras, e que consistiram em simulações de ataques terroristas, emprego de forças nacionais e municipais de segurança e estratégia de combate às táticas do terror. "Os meios postos à disposição dos festivaliers são excepcionais, o Festival é marco cultural único para a imagem internacional da França". Neste contexto de cuidados e precauções, uma curiosa contradição, pelo menos neste momento: na área onde está instalado o conjunto cinematográfico de nações que fica rente ao Palais des Festivais, local densamente povoado por habitués do evento e por milhares de turistas, será inaugurado nos próximos dias um pavilhão de Israel...

A exatos 85 dias do inicio dos jogos olímpicos, o cinema mundial começa a viver hoje e durante doze jornadas a sua olimpíada muito particular. Depois da homenagem nostálgica de Woody Allen à Hollywood dos anos 1930, logo mais à noite, começa a disputa de prêmios em todas as frentes: na mostra principal, a que recompensa com a cobiçada Palma de Ouro (21 títulos) ; no Certain Regard (18): na Quinzena dos Realizadores e na Semana da Crítica, além dos dez curtas metragens que também entregam ao vencedor a Palma de Ouro da categoria. E o Brasil está também nesta disputa, com o curta "A Moça que Dançou com o Diabo", do paulista João Paulo Miranda Maria.

Para complicar o sempre muito complicado tempo a ser dividido entre essas seções oficiais, o cinéfilo deve guardar forças para mais 16 exibições fora de competição, entre sessões de meia-noite e sessões especiais. Além de outra tentação irresistível, a desafiar o apetite diante do banquete de imagens: a seção queridinha de muitos, não só saudosistas mas também da nova geração de críticos, composta por cerca de 30 clássicos restaurados e documentários sobre filmes e autores, passado e presente.

No júri, presidido pelo cineasta George Miller, estão os atores Mads Mikkelsen, Donald Sutherland, Kirsten Dunst, Valeria Golino, Vanessa Paradis, os diretores Lászlo Nemes e Arnaud Depleschins e a produtora iraniana Katayon Shahabi.

Imagem ilustrativa da imagem Cannes, a olimpíada do cinema
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