Cannes, a olimpíada do cinema
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terça-feira, 10 de maio de 2016
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br>Especial de Cannes para a Folha 2 
Não há festival internacional tão antecipado e com mais mediatismo do que este eterno Cannes. Que abre oficialmente hoje à noite com "Café Society", a comédia anual a que Woody Allen nos habituou. Além de um tapete vermelho com certeza congestionado de celebridades Marion Cottilard, Julia Roberts, George Clooney, Jodie Foster, Robert De Niro, Javier Bardem, Charlize Theron, Kristen Stewart, Juliette Binoche, Isabelle Huppert, Steven Spielberg, entre muitas outras um dos destaques desta 69ª edição é o regresso do Brasil à competição, com Sonia Braga como protagonista de "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho. O filme concorre à Palma de Ouro ao lado de nomes consagrados como os irmãos belgas Jean Pierre e Luc Dardenne, o inglês Ken Loach, Jim Jarmush e Pedro Almodóvar, outra esperada volta à competição.
Mas boa dose de apreensão cerca a mostra. Desde que foi anunciada a seleção oficial, em meados de abril, a organização do festival vem se preparando ativamente para intensificar medidas de segurança, numa França ainda abalada pelos atentados de Paris em 14 de novembro do ano passado. Ontem, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, esteve em Cannes para "controlar o dispositivo de segurança", segundo suas palavras, e que consistiram em simulações de ataques terroristas, emprego de forças nacionais e municipais de segurança e estratégia de combate às táticas do terror. "Os meios postos à disposição dos festivaliers são excepcionais, o Festival é marco cultural único para a imagem internacional da França". Neste contexto de cuidados e precauções, uma curiosa contradição, pelo menos neste momento: na área onde está instalado o conjunto cinematográfico de nações que fica rente ao Palais des Festivais, local densamente povoado por habitués do evento e por milhares de turistas, será inaugurado nos próximos dias um pavilhão de Israel...
A exatos 85 dias do inicio dos jogos olímpicos, o cinema mundial começa a viver hoje e durante doze jornadas a sua olimpíada muito particular. Depois da homenagem nostálgica de Woody Allen à Hollywood dos anos 1930, logo mais à noite, começa a disputa de prêmios em todas as frentes: na mostra principal, a que recompensa com a cobiçada Palma de Ouro (21 títulos) ; no Certain Regard (18): na Quinzena dos Realizadores e na Semana da Crítica, além dos dez curtas metragens que também entregam ao vencedor a Palma de Ouro da categoria. E o Brasil está também nesta disputa, com o curta "A Moça que Dançou com o Diabo", do paulista João Paulo Miranda Maria.
Para complicar o sempre muito complicado tempo a ser dividido entre essas seções oficiais, o cinéfilo deve guardar forças para mais 16 exibições fora de competição, entre sessões de meia-noite e sessões especiais. Além de outra tentação irresistível, a desafiar o apetite diante do banquete de imagens: a seção queridinha de muitos, não só saudosistas mas também da nova geração de críticos, composta por cerca de 30 clássicos restaurados e documentários sobre filmes e autores, passado e presente.
No júri, presidido pelo cineasta George Miller, estão os atores Mads Mikkelsen, Donald Sutherland, Kirsten Dunst, Valeria Golino, Vanessa Paradis, os diretores Lászlo Nemes e Arnaud Depleschins e a produtora iraniana Katayon Shahabi.



