São Paulo - Entre paredões de rocha, um rio se destaca na paisagem marcada de verde e marrom. Um verdadeiro convite à poesia, na opinião de alguns. Sinônimo de muita adrenalina em cenário deslumbrante, garantem outros. O primeiro grupo não deixa de estar certo, mas é o segundo que consegue aproveitar melhor o que os cânions do Brasil e do mundo têm a oferecer.
Em terras brasileiras, não faltam opções de atividades radicais, sobretudo na região Sul do País. Os Estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul são repletos dessas formações curvilíneas e cheias de abismos.
O roteiro da aventura pode começar na cidade de Praia Grande (SC), porta de entrada para o Parque Nacional de Aparados da Serra. Nessa imensa área de preservação - que se divide entre os lados catarinense e gaúcho - fica um dos cânions mais famosos do Brasil: o Itaimbezinho.
A enorme fenda tem 5,8 quilômetros de extensão e paredões de até 700 metros de altura. Em muitos pontos, a aspereza é interrompida por belas quedas-d'água. Entre elas se destaca a Fortaleza dos Aparados.
As trilhas, com níveis variados de dificuldade, levam os aventureiros às alturas, literalmente. ''As caminhadas no alto são as mais fáceis, com seis quilômetros, e podem ser feitas por iniciantes'', explica Sven Janssen, 34 anos, dono da Apoema (www.apoema.tur.br), agência que organiza essas expedições na região. Outro ponto positivo dessa área é a infra-estrutura. Por lá ficam a portaria e a base de apoio, com banheiros e segurança.
Para mais emoção, invista em atividades no fundo do cânion. A trilha do Rio do Boi, que corta todo o Itaimbezinho, requer técnica e ajuda de um guia experiente. ''A caminhada de sete horas é feita pelo leito do rio'', conta Janssen. ''É preciso andar sobre as pedras e ter muita habilidade.''
Depois, siga para o Parque Nacional da Serra Geral, já em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul. Essa área é bem mais rústica, quase sem infra-estrutura, e esconde trilhas bem fechadas (mesmo as caminhadas mais leves precisam ser monitoradas por guias). ''A maior atração é o Cânion Fortaleza. Lá, ao contrário do Parque dos Aparados da Serra, ainda é permitido fazer rapel e escalar'', explica Ana Lúcia Lopes de Lima, 54, dona da operadora Rota dos Canyons.
Um dos roteiros clássicos é caminhar 24 quilômetros sobre o platô - que chega a 900 metros de altura. No cume, o aventureiro tem uma vista de Torres, de Lagoas de Sombrio e do Cânion Malacara.
Guartelá
O Paraná também reserva cânions estonteantes. O Parque Estadual do Guartelá, em Tibagi, inclui o Cânion do Rio Iapó, com 32 quilômetros de extensão e altitudes que variam de 700 a 1.200 metros.
Lá, a prática de rapel é liberada - a atividade fica mais emocionante na Cachoeira das Andorinhas. Já a descida no Puxa-Nervos, de 40 metros, é ideal para iniciantes.

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