CANDIDATOS AO ESTRELATO
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sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Francelino França<br> De Londrina 
Centenas de candidatos se aglomeraram durante dois dias em Londrina em busca de um único sonho: participar das filmagens de Gaijin 2. A equipe de produção do filme, que será dirigido por Tizuka Yamasaki, começou a selecionar atores e figurantes para as filmagens. Boa parcela dos candidatos nem fazia idéia sobre o tema do filme. Também parecia não interessar muito. O importante é participar, passar da dimensão de espectador para a patamar de ator de cinema, viver a experiência do set de filmagens e estar lado a lado com mitos na tela do cinema, nem que seja um rosto na multidão.
Tensão, nervosismo e ansiedade no semblante dos candidatos. No dia 4 de outubro, 600 candidatos de todas as etnias e idades, com alguma experiência em teatro, cinema e publicidade, decoraram um pequeno texto e gravaram o temido teste de câmera, sob a responsabilidade Eugen Kummerle, marido da cineasta. Todos que se inscreveram serão chamados para o teste, mesmo aqueles que fizeram em 1998, garante a produção. Quem estava recepcionando os candidatos a figuração era a diretora de arte Yurika Yamasaki e o figurinista Jorge de Tarso. Eles analisavam atentamente a ficha e a foto durante a seleção.
Numa pequena sala os atores decoravam o texto, fixando o olhar a poucos centímetros de uma parede branca. ''Não é justo tirar a terra de quem trabalha. Eu sou brasileira, não podem me tirar daqui'', era repetido à exaustão, remetendo ao muro das lamentações, em Jerusalém. A caloura do curso de Artes Cênicas, da Universidade Estadual de Londrina, Cristhine Waslavic, 18 anos, ensaiou uma hora ''as falas simples e curtas''. ''Vou fazer o impossível para conseguir um papel'', disse a garota. Perfeccionista, Cristhine insistiu para que Eugen repetisse o teste. ''Eu falei uma 'aqui' a mais. Não posso mostrar isso para a Tizuka'', argumentou a garota.
Afastado dos palcos há 12 anos, o professor universitário aposentado, Cláudio Muller, 56 anos, estava aparentemente tranquilo e seguro na hora ''H'', diante das câmeras. ''Estou me propondo trabalhar para conhecer o processo. Concorro a mais simples figuração até ao mais complexo personagem. Não posso perder a chance de trabalhar com Tizuka'', afirma o veterano. Juntamente com Muller e Cristhine, o professor universitário Ângelo Meneguetti, 36 anos, fez o teste de câmera. ''Tenho esperança de dar certo. Logo nos primeiros dias me inscrevi'', disse o candidato, minutos após a maratona em busca de um lugar ao sol.
Ontem, o número de nikkeis no Shopping Royal Plaza não atingiu às expectativas. Muitos vieram de cidades da região. A jovem Jessica Yvi, transita há cinco anos no mundo das artes, como atriz, bailarina clássica, de street dance e também faz canto. Jessica também atuou numa telenovela local. ''Tudo vale como experiência'', disse enquanto aguardava a produção anunciar seu nome. ''Sempre vou ao cinema e fico me imaginando nas telas'', prossegue. Jessica possui um tipo físico característico do norte do Paraná: olhos claros e puxadinhos. Ela tem ascendência das etnias espanhola, italiana e japonesa.
Quem está apostando no sonho de ser atriz de cinema, e viajou mais de 500 km em busca desse desejo foi a atriz Juliana Komiyama, 16 anos. Chegou de Curitiba com o dia amanhecendo, diretamente para a casa de um tio-avô. A ansiedade impediu que ela dormisse ou relaxasse. Com experiência de 4 anos de palco, ela já havia feito o teste em 1998. ''Isso que eu quero para a minha vida. Eu amo atuar'', afirma. As duas jovens atrizes mestiças disputam a personagem Yoko, uma estudante secundária e tímida. No início da trama, a jovem vai em busca do pai ao Japão. Yoko é a mais nova das quatro mulheres determinadas que serão retratadas na saga nipo-brasileira.


