CANCÚN volta a brilhar
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terça-feira, 06 de maio de 2008
Mônica Nóbrega<br> Agência Estado 
Cancún, México - Passa pouco das 13 horas de terça-feira, uma terça-feira ensolarada como se espera que sejam todos os dias em um lugar que parece existir para servir de moldura a rostos felizes em fotos de férias perfeitas. O azul caribenho e o ritmo de feriado eterno confirmam o estereótipo. Mas falta algo para a superstar mexicana ser um típico destino de praia. Pode ser a faixa de areia, artigo de luxo na Cancún atual, paraíso mexicano. Ou um pouco de natureza, já que a costa é ocupada por uma gigante fila de hotéis e resorts. Superurbana.
Completamente remodelada menos de três anos depois da passagem do furacão Wilma, em outubro de 2005, a área turística - uma ilha com o formato do número 7, separada do continente pela Lagoa Nichupté - surge repleta de novidades. ''Tudo isso ficou como se tivesse sido batido em um liquidificador'', conta a relações públicas do Convention & Visitors Bureau local, Erandeni Abundis. Dos prédios, restou a carcaça. E, nas praias, as ondas.
Foram investidos US$ 30 milhões só para recompor um pouco da faixa de areia e para construir barreiras de contenção que evitam que o mar leve o que agora é uma preciosidade praticamente privatizada pelos hotéis. Pela lei, as praias são públicas. Mas, na prática, há apenas seis acessos ao mar para quem não está hospedado na orla. Um é a Praia Delfines, conhecida como Praia do Mirante, no começo da avenida dos hotéis. É ela quem recebe os moradores de folga nos fins de semana.
Redescoberta
Metade dos turistas que a cidade recebia antes da passagem do furacão Wilma já voltou - no ano passado, 3 milhões visitaram Cancún. Os americanos, que não precisam de visto para ir ao México, são os principais frequentadores. No mês passado, por exemplo, o balneário parecia um filme de sessão da tarde. Hordas de estudantes iam de um lado para o outro, aproveitando a folga do spring break.
Apesar do grande número de adolescentes nas ruas e nas piscinas dos hotéis, as autoridades garantem que os springbreakers correspondem, hoje, a menos de 1% dos visitantes. ''São poucos, mas fazem barulho. Por isso parecem muitos'', diz Erandeni, do Convention Bureau. Não quer topar com os garotos? Evite os hotéis all-inclusive, os preferidos deles, por causa das refeições incluídas.
Herança maia
Apesar de as cadeias de fast-food e as lojas americanas serem onipresentes, Cancún se esforça para resgatar um resquício de herança maia, povo que habitava toda a Península de Yucatán quando os espanhóis chegaram, em 1508. Em tempo: os maias não foram extintos - há muitos descendentes entre os trabalhadores locais.
Criada há 38 anos, Cancún (''ninho da serpente'', em maia) foi desde o início projetada para ser um superdestino turístico. Mas a cidade não deixa de ter relíquias, como as ruínas El Rey, que teriam sido uma hospedaria para marinheiros, que passavam por ali a caminho de portos comerciais no litoral mexicano. O local está aberto a visitas das 8 às 17 horas. A entrada custa 35 pesos (R$ 5,52).
Uma opção para ver autênticas feições maias é se aventurar pelo centro. Ali, a surpresa: uma cidade real, com ruas bonitas e feias, terminal de ônibus, mercados populares e hora do rush, bem diferente do mundo colorido e brilhante dos hotéis. Vá de ônibus (6,50 pesos ou R$ 1,03) - os coletivos passam na Boulevard Kukulcán, a avenida dos hotéis, são limpos e confortáveis. Se preferir o táxi, negocie antes, porque o taxímetro simplesmente não existe. Em média, a corrida custa 100 pesos (R$ 16,47).


