CANÇÕES ANTOLÓGICAS EM VOZ PRIVILEGIADA
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
Zeca Corrêa Leite 
A cantora Ná Ozzetti escolheu a calmaria do feriadão de 7 de setembro para concretizar no palco a beleza do CD que acaba de ser lançado pela Som Livre, apropriadamente intitulado de ''Show''. O espetáculo fez sua estréia nacional em São Paulo, no Sesc Pompéia, mas dali a artista quer ganhar o Brasil. ''Seria ótimo voltar a Curitiba'', disse a artista, em entrevista à Folha2. Ela esteve em junho no Guairinha.
O disco um primor de grandes sucessos do passado estava em seus planos há tempos, mas se seguisse o caminho natural das realizações, demoraria ainda mais alguns anos. Apontada como a melhor intérprete do 1º Festival de Música Brasileira, promovido pela TV Globo, no ano passado, teve como prêmio esta gravação. Coincidentemente o diretor artístico da Som Livre, Hélio Costa Manso, tinha a mesma idéia. ''Quando ele falou, eu adorei'', contou Ná.
Cerca de 200 gravações originais foram ouvidas e, destas, selecionadas as 14 que compõem o repertório. Só a gravadora baixou 150 ''e eu também saí pesquisando; peguei especialmente os da Revivendo''. A Revivendo é uma gravadora curitibana, especializada na memória musical. Os dois volumes de ''A Canção no Tempo'', de Zuza Homem de Melo, também caíram feito uma luva.
''Difícil foi escolher com tanta música boa. Essas que ficaram no CD eram muito fortes na memória'', explicou. Ná Ozzetti cresceu ouvindo grandes composições defendidas por grandes intérpretes. Essa foi sua escola artística, aquela que orientou seu caminho. Ouvir novamente as velhas canções, apesar da forma concentrada, ''foi espécie de um retorno ao que há de mais essencial no meu canto. É uma coisa de infância''.
As releituras que ela faz de músicas praticamente definitivas como ''Meu Mundo Caiu'', ''Mensagem'', ''Canção de Amor'' (só para citar três, impossíveis de serem imaginadas em outras vozes que não as de Maysa, Isaurinha Garcia e Elizeth Cardoso), vieram naturalmente, sem a preocupação de se buscar conceitos. ''Deixei o coração ir na frente e também o Dante (Ozzetti, seu irmão) foi o mais natural possível nos arranjos. Acho que o sotaque do disco, ou seja, a forma que dá mais contemporaneidade às releituras, é uma consequência. Não forçamos nada''.
A interpretação de Ná Ozzetti ampara-se em pequenos conjuntos, ao contrário do som orquestral que acompanhava a maioria dessas composições. O máximo a que se chega é meia-dúzia de instrumentos em algumas faixas, mas no caso de ''Segredo'', imortalizado por Dalva de Oliveira, tem-se apenas os violões de Ulisses Rocha, o baixo de Swammi Júnior e a percussão de Caíto Marcondes. Em ''Último Desejo'', uma das obras-primas de Noel Rosa, há um trio de cordas: dois violões e uma viola.
A sofisticação natural da artista foi respeitada a cada nota deste ''Show''. A música que dá título ao CD é a única que não veio de décadas passadas. Composta por Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri, sintetiza o trabalho da cantora: ''É só uma voz/ a minha voz/ sem coral/ cadê o coral''.


