Câncer mata o apresentador Bolinha
O apresentador de TV Édson Curi, o Bolinha, morreu às 2h30 de ontem, aos 62 anos, vítima de câncer no aparelho digestivo. Bolinha estava internado há duas semanas no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, para tratamento do câncer, que havia sido descoberto há três anos. Nos últimos seis meses, a doença do apresentador agravou-se. O corpo do apresentador foi velado até o final da tarde de ontem no Hospital Cruz Azul, na Aclimação, zona sul de São Paulo. O apresentador será enterrado hoje no cemitério Areia Branca, em Santos, cidade onde vivia atualmente.
Afastado da TV desde 1994, quando a Band tirou do ar o programa Clube do Bolinha, nas tardes de sábado, Bolinha pensava em voltar à TV. Segundo o genro do apresentador, Henrique Bueno de Prado, Bolinha vinha recebendo algumas propostas para voltar a trabalhar. Com um estilo irreverente, marcado pelo visual de camisas de seda coloridas, Bolinha foi uma das figuras mais marcantes da TV brasileira. O Clube do Bolinha ficou no ar por 30 anos na TV Bandeirantes, alcançou oito pontos no Ibope e era um dos líderes de audiência da emissora.
Em entrevistas, costumava dizer que não gostaria de mudar de emissora, porque gostava da liberdade de poder improvisar os textos do programa não queria ser mandado. Se mudasse de canal, teria de correr atrás de audiência e isso cansa qualquer beleza, afirmou em entrevista ao Diário Popular, em 1991.
Curi, que na verdade chamava-se Édson Cabariti (mas, segundo ele, o nome não soava bem no rádio), nasceu em Araçatuba, no interior de São Paulo, em 1936. Filho de imigrantes sírios, Bolinha começou a carreira como locutor esportivo, depois de fazer bicos como feirante, engraxate e balconista. Na TV Excelsior, Bolinha começou como o responsável pelos flashes esportivos do programa Últimas Notícias. A estréia como apresentador de programa de auditório aconteceu quase por acaso: em janeiro de 1967, Bolinha foi convocado a substituir ninguém menos do que o apresentador Chacrinha, que havia se desentendido com os diretores da emissora. Bolinha não apenas levou o programa adiante, como aumentou o seu Ibope.
Outra marca do programa animado por Bolinha eram as bailarinhas, chamadas carinhosamente de boletes. Segundo o apresentador, o critério na seleção das candidatas era unicamente a beleza. O telespectador quer mesmo é ver mulher boazuda na TV, resumiu.Corpo do
comunicador
será
sepultado
hoje pela
manhã em
Santos
Agência Estado





