Cancelamento do Filo provoca questionamentos
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2018
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Era pra ser um evento histórico para festejar o jubileu de ouro do mais antigo festival de teatro da América Latina. Mas ao invés da intensa movimentação cultural que agita a cidade há meio século, o que se viu foram manifestações de pesar nas redes sociais após o anúncio do cancelamento da 50ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo). A falta de apoio financeiro de grandes patrocinadores como a Petrobras e a Caixa Econômica Federal foi motivo alegado do adiamento para o próximo ano.

"A gente tentou até o último momento levantar recursos para realizar o Filo ainda em 2018 e, no decorrer do ano, fomos bastante claros com o público em relação às dificuldades que estávamos enfrentando para conseguir patrocínio. Infelizmente, após uma série de tentativas não conseguimos reverter essa situação mesmo após dois adiamentos, de agosto para outubro e de outubro para dezembro", afirma Luiz Bertipaglia, diretor de festival.
Na avaliação dele, o período eleitoral e a situação econômica do país, que se reflete no poder de investimento de empresas privadas, foram responsáveis pela queda na captação de recursos financeiros. "Historicamente, a Petrobras e a Caixa Econômica Federal sempre foram os grandes patrocinadores do festival, com repasses nos últimos anos em torno de R$ 500 mil e R$ 150 mil, respectivamente. Mas neste ano não conseguimos esse patrocínio e seria inviável realizar o Filo apenas com os R$ 350 mil que conseguimos junto à prefeitura por meio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura)", destalha.

Bertipaglia afirma que a comissão organizadora deixou para anunciar o cancelamento do festival somente agora pois ainda havia esperanças de obter cotas maiores de patrocínios. "Recentemente tivemos um conversa bastante animadora com o Governo do Estado que acenou a possibilidade de liberar recursos por meio da Secretaria de Estado de Cultura, o que acabou não acontecendo. Conseguimos ainda a aprovação para captar R$ 1.489.000,00 por meio da Lei Rouanet, fizemos uma grande campanha local, mas conseguimos levantar apenas R$ 65 mil nos últimos meses. Recebemos um grande apoio por parte do público que se comoveu com a nossa situação, ao contrário do empresariado local que não demonstrou o mesmo empenho", reclama.
Ao público que ficou descontente com o cancelamento do Filo, o diretor lembra que outros grandes eventos passaram pela mesma situação neste ano. "Outros festivais do mesmo porte que também eram patrocinados pela Petrobras tiveram que cancelar a edição deste ano ou realizaram uma programação reduzida, muito aquém do esperado. É o caso dos festivais de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São José do Rio Preto", compara.
Ainda assim, quando o cancelamento do festival foi anunciado na última segunda-feira (3), muitos londrinenses lamentaram o fato nas redes sociais questionando as esferas do poder público responsáveis pelos investimentos - em nível municipal, estadual e federal - sobre a falta recursos para um evento histórico. Afinal, o Filo é um dos festivais mais importantes da América Latina, aquele que também inspirou a efervescência da cultura local abrindo caminho para tantos outros festivais. Alguns também lamentaram os rumos da cultura, tendo em vista a possível extinção do próprio ministério que responde pela área.
Uma edição do Filo com programação reduzida chegou a ser cogitada, mas logo foi descartada, conforme revela Bertipaglia. "Pensamos em montar uma grade apenas com espetáculos locais, mas muitas companhias estão com a agenda lotada em dezembro. Além disso, teríamos dificuldades de incluir algumas despesas que não previstas no regulamento de prestação de contas do Promic. Por fim, achamos que a edição de 50 anos do Filo merece uma programação extensa com a participação de cerca de 40 grupos nacionais e internacionais e com o alto nível de qualidade que sempre pautou o evento. Diante disso tudo achamos melhor adiar o festival para o próximo ano", justifica.

De acordo com o diretor, o orçamento ideal do Filo seria de R$ 1,6 milhão, valor que a comissão organizadora espera arrecadar para edição a ser realizada em 2019. "Já vamos começar a correr atrás disso a partir de agora. O valor destinado pelo Promic para este ano não é acumulativo, portanto entraremos com um novo projeto para o edital de 2019 e novamente tentaremos garantir apoio dos governos estadual e federal por meio de editais e das grandes estatais. Nossa meta é realizar o Filo em junho ou agosto do próximo ano", adianta.


