São Paulo, 09 (AE) - Foi cancelada a turnê no Brasil de uma das mais importantes companhias de teatro da Europa, o Théâtre du Soleil, dirigido por Ariane Mnouchkine. Segundo o que vinha sendo planejado havia um ano, a companhia apresentaria no Sesc Belenzinho dois espetáculos: Et Soudain des Nuits dEveil e Tambours sur la Digue, em agosto. No início do mês, uma mudança de planos no Soleil ampliou de forma considerável a importância da turnê: Tambours faria sua estréia mundial no Sesc - a estréia em Paris, prevista para quarta-feira passada, foi adiada -, um privilégio que certamente atrairia para o Brasil a atenção de toda a imprensa européia.
"Aos altos custos do empreendimento, resultado, sobretudo, das mudanças ocorridas na moeda brasileira, veio somar-se a impossibilidade de encontrar as indispensáveis parcerias", diz o comunicado enviado à imprensa para justificar o cancelamento, assinado por Ariane e pelo diretor do Sesc/São Paulo, Danilo Santos de Miranda.
Por telefone, de Paris, Ariane falou sobre as negociações para a vinda do Soleil, cujos custos foram avaliados pelo Sesc em US$ 1 milhão. Segundo a diretora, menos de um terço desse valor é referente aos custos diretos com a companhia - cachês dos 60 integrantes durante 40 dias para 22 apresentações de dois espetáculos, cachês das oficinas que seriam oferecidas pela diretora e pelo músico Jean-Jacque Lemétre e transporte de cenários - tudo orçado pelo Soleil em cerca de US$ 300 mil. A parcela mais pesada do orçamento se refere à adaptação de um espaço cênico com as dimensões e os recursos técnicos necessários aos espetáculos.
"Em agosto, fui ao Brasil com o cenógrafo Guy-Claude para avaliar os espaços oferecidos pelo Sesc", disse Ariane. A instituição levou ambos às unidades do Sesc Ipiranga, considerado inadequado, e do Sesc Belenzinho, aprovado. "Na ocasião, chamei a atenção para o fato de que o custo da adaptação do espaço seria realmente muito alto, mas disseram-me que ela não seria feita apenas para receber o Soleil, mas seria útil ao local, que passaria a ter atividade teatral permanente, o que diminuiu minha inquietação."
Em abril, o administrador do Théâtre du Soleil, Pierre Saslene, mostrava-se otimista em uma reunião com técnicos da instituição, no Sesc Belenzinho. Na ocasião, os obstáculos a superar pareciam ser unicamente técnicos. No entanto, no fim de abril, Ariane recebeu a notícia de que não seria possível a utilização do Sesc Belenzinho, mas a instituição oferecia como alternativa o Sesc Ipiranga.
Para não abrir mão de um projeto que a essa altura já envolvera toda a companhia, Ariane chegou ao Brasil no dia 1.º pela manhã para avaliar o local que antes havia recusado. O cenógrafo J.C. Serroni, convidado para colaborar na adaptação, contribuiu para que a diretora aceitasse a mudança. Ele conversou com ela, avaliou o espaço e trabalhou durante uma noite inteira sobre um projeto de adaptação.
"Ainda que o local não me tenha agradado muito, o entendimento artístico com o cenógrafo Serroni foi excelente; ele compreendeu muito bem as necessidades do Soleil e, aliado ao nosso desejo de estar no Brasil, aceitei as novas condições", afirmou Ariane. Porém, no dia 3, Miranda encontrou-se com a diretora já de partida para Paris para dizer-lhe que, infelizmente, o Sesc não tinha conseguido parceiros para a empreitada e a instituição teria de cancelar a turnê.
"Ele deixou em aberto a possibilidade de novos entendimentos
caso consiga parcerias para o projeto", afirmou Ariane. Diante da necessidade de fechar sua agenda européia para este ano, a diretora concedeu um prazo para a instituição que terminou hoje "Mas, se ainda na próxima semana chegasse aqui um contrato com dados concretos, fecharíamos com o Brasil, pois é imenso o desejo de toda a trupe de ir ao País."
Não foi possível conversar com Danilo Santos de Miranda, que viajou ao exterior, segundo informações da Assessoria de Imprensa do Sesc.

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