Célia Almudena
Agência Folha
Um festival de rock, tipo o Reading britânico, mas sem a lama. Essa é a melhor definição para o programa ‘‘O Show de Jools Holland’’ que será exibido hoje, às 21 horas, pelo canal pago People+Arts. Cinco ou seis palcos montados em círculo em um estúdio imenso, com um piano de cauda preto pilotado por Jools Holland ao centro, criam a atmosfera dessa atração que desde 1992 anima a TV britânica com apresentações ao vivo de bandas renomadas, desconhecidas ou independentes de todo o mundo. Melhor ainda, em alguns programas as bandas se misturam para uma ‘‘jam session’’ inicial ou final.
‘‘Tento fazer um balanço entre grandes estrelas atuais, mitos do rock, bandas independentes e outras desconhecidas. É como editar uma revista. Você tem sua reportagem de capa, mas também deseja colocar outros bons artigos para manter a atenção das pessoas’’, diz Mark Coopers, produtor, que elege com o aval de Jools Holland quais serão as atrações de cada programa.
Hoje à noite, por exemplo, a ‘‘chamada de capa’’ é o Smashing Pumpkins, com as músicas ‘‘Ava Adore’’, ‘‘Once Upon a Time’’ e ‘‘Daphne Descends’’. O recheio fica a cargo de Creatures, Simply Red, Tricky cantando ‘‘Broken Homes’’ com PJ Harvey, além de Leon Russel que faz um duo com o anfitrião Jools Holland, tocando ‘‘Legend in my Time’’ e ‘‘Delta Lady’’. Holland é pianista e fundador do Squeeze e da Rhythm and Blues Orchestra. Conhecimento e talento musical, aliados à ótima articulação, levaram Holland a ser convidado pelos ex-Beatles para conduzir as entrevistas para ‘‘Anthology’’, premiada série de TV sobre o grupo.
Mas se Coopers se vira para deixar impecável um programa que ele classifica como ‘‘tecnicamente difícil’’ - entre técnicos, câmeras e músicos são cerca de cem as pessoas envolvidas em cada gravação - a transmissora brasileira acaba ofuscando seu brilho.
A sequência original de programas nunca é respeitada. As chamadas trazem um chato erro de digitação: ‘‘O Show dos Jools Holland’’. A dublagem, além de pouco confiável, também tira muita da graça do programa. Ainda bem que nem todos os programas foram dublados e que os assinantes da DirecTV têm a opção de ouvir o som original.
A repetição dos programas não chega a ser ruim. Assistir pelo menos três vezes em seis meses à ‘‘primeira apresentação do Fishbone na Inglaterra’’ é até legal. O pior de tudo é quando a emissora decide fundir programas, colocando no ar partes de vários episódios em um único dia. ‘‘O programa é como uma montanha-russa emocional, cada episódio é uma pequena narrativa musical, com começo, meio e fim’’, diz Coopers. Com a mescla de episódios, o People+Arts acaba embaralhando a história. Melhor seria exibir os programas na sequência original, legendados e sem cortes. Apesar de tudo isso, ainda vale a pena ficar no sofá até mais tarde para conferir ‘‘O Show de Jools Holland’’.
O programa ‘‘O Show de Jools Holland’’ acontece terças às 21 horas; quartas, a 1 hora, e de segunda a domingo, às 3 horas.

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