São Paulo, 29 (AE) - O Canal Brasil entrou em 2000, seu segundo ano de existência, com uma vitória significativa. Além de aumentar seu número de telespectadores - já alcança cerca de 700 mil no País - o canal ganhou o Prêmio Cinema Brasil, concedido pelo Ministério da Cultura, em fevereiro, por sua contribuição ao pensamento cinematográfico. "Esse prêmio veio em ótima hora, afinal somos o único canal no País inteiramente dedicado à produção cinematográfica brasileira", diz Alexandre Cunha, diretor de Programação do canal.
Outra prova desse reconhecimento foi a participação de Wilson Cunha, diretor-geral do Canal Brasil e do Multishow, do sistema Globosat, no almoço com o presidente Fernando Henrique em Brasília, em homenagem aos vencedores do prêmio. "Fui de coadjuvante", brinca. "Perto das estrelas como Fernanda Montenegro, eu fiz só figuração, mas fiquei muito contente porque poucas vezes as autoridades e quem realmente faz cinema no País se encontraram", conta.
A receita do canal para dar certo em pouco mais de uma ano - está no ar desde agosto de 1998 -, consiste em, além de transmitir filmes brasileiros, incentivar e até participar de algumas produções. "O canal só existe se o cinema existir; é por isso que também o incentivamos", conta Wilson Cunha.
Para quem estreou em caráter experimental, o Canal Brasil, uma parceria de partes iguais entre a Globosat e um grupo de cineastas composto por Luiz Carlos Barreto, Zelito Viana, Marco Altberg, Roberto Faria e Aníbal Massaíni Neto, já está garantindo algumas conquistas. "Estamos conseguindo ajudar a tirar a imagem negativa que o cinema brasileiro tinha", diz Wilson. História - Para isso, o Canal Brasil conta com uma programação diversificada, que vai de Xuxa a Mário Peixoto. Além dos longas e curtas, fazem parte da programação vários programas que contam a história do cinema brasileiro, seus lançamentos, seus bastidores, entre outros.
Além do reconhecimento da crítica uma das conquistas mais importantes apontadas por Alexandre é a aceitação do público. "Muitos começaram a assistir por curiosidade e acabaram criando uma fidelidade", diz. "Também cativamos o público com a exibição de filmes em bom estado; já restauramos mais de 200 longas e estamos sempre adquirindo novos filmes", completa.
A receita do sucesso também consiste em coordenar a programação como se fosse um cinema. "Transmitimos os filmes de acordo com ciclos, como em uma cinemateca", conta Wilson. "Amanhã, por exemplo, é o dia do Rio, na semana que vem teremos o ciclo das cineastas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher", ressalta Alexandre.
Além da transmissão dos filmes, outro meio encontrado pelo canal de incentivar o cinema brasileiro é a concessão do Prêmio Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem, que percorre o Brasil atrás dos melhores filmes dos principais festivais de cinema. "Além de transmiti-lo, premiamos dois vencedores com R$ 5 mil; o que já é significativo", conta Wilson.
Outro plano para continuar garantindo o sucesso, é o investimento na produção de longas. O canal que estreou com 300 longas e 60 curtas e investimento inicial de R$ 4 milhões, vai produzir 6 telefilmes em parceria com a TVE, que custarão cerca de R$ 500 mil cada. "Já temos 400 longas e 80 curtas e vamos comprar mais", diz Wilson. "Vamos aumentar ainda mais a participação do canal em todas as etapas da filmagem", adianta. E completa: "Vamos acompanhar desde a criação, como co-produção e filmagem de making ofs até a exibição".
Além do público brasileiro, o canal pode aumentar sua aceitação em Portugal, onde é retransmitido pela TV Cabo, que alcança cerca de 500 mil assinantes. "Temos de reconhecer que a novela nos ajudou porque o público português adora os atores brasileiros e quer revê-los nos filmes", conta Alexandre.
De olho nesse e em outros mercados, o canal pretende adquirir outros filmes de língua portuguesa. "Não faz sentido transmitir só filmes nacionais, quando o número de parcerias entre Brasil e outros países cresce cada vez mais", salienta Alexandre. Por enquanto, Brasil e Portugal são os únicos países a assistir a sua programação, mas o Canal Brasil pretende levar o sinal aos países do Mercosul e passar a transmitir seus filmes.
"Não se trata de perder espaço para os estrangeiros, mas sim de conquistar novos públicos para os nosso filmes", afirma. "Já adquirimos um filme português, "A Sombra dos Abutres", um argentino, Sotto Voce, e vamos transmiti-los em abril", informa Wilson. Popular - Apesar do sucesso rápido, essas conquistas ainda são só o começo para Alexandre. "Para um canal de TV, um ano não é nada, somos muito jovens e ainda temos de vencer muitas coisas." Além disso, o Canal Brasil esbarra no obstáculo de estar restrito à TV a cabo - somente os que compram o pacote Advanced do sistema Net/Multicanal/Sky têm acesso à programação.
"Não acredito que esse tipo de canal seja viável na TV aberta, que tem outros interesses", lembra Alexandre. "A solução para alcançar mais público seria incluí-lo em um pacote mais popular de assinatura", propõe. Para isso, Wilson Cunha faz questão de frisar: "Qualquer operadora que queira comprar o direito de transmitir o Canal Brasil pode fazê-lo e, assim, abrir a programação para mais público".