Canal Brasil programa um dia inteiro de filmes, clipes e especiais em homenagem ao Dia da Mulher
Canal Brasil programa um dia inteiro de filmes, clipes e especiais em homenagem ao Dia da Mulher7/Mar, 13:14 Por Luiz Carlos Merten São Paulo, 07 (AE) - Feministas de carteirinha menosprezam uma data como o Dia Internacional da Mulher. Acham que não existe um dia do homem e, consequentemente, trata-se de uma concessão. Pior - acham que, se existe um dia da mulher, os restantes 364 dias do ano são do homem. Polêmicas à parte, o Dia Internacional da Mulher ganha a homenagem do Canal Brasil (Net/Sky), que, na semana passada, já prestou uma grande homenagem ao Rio de Janeiro, no aniversário da Cidade Maravilhosa. Durante todo o dia de amanhã (08) serão exibidos filmes, clipes e especiais. Nenhum dos filmes é inédito na programação. Alguns destacam-se dos demais: "A Falecida", de Leon Hirszmanm às 9 horas, "Xica da Silva", de Cacá Diegues, às 11 h, "Carlota Joaquina, a Princesa do Brazil", de Carla Camurati, às 21 h e "Eternamente Pagu", de Norma Bengell, à 1 h. Entre os longas, encaixa-se a programação de curtas. Às 17 h e às 3 h (madrugada), o programa "Curta na Tela Especial" vai mostrar, entre outros, "Glaura", de Guilherme de Almeida Prado, "Lá e Cá", de Sandra Kogut, e "Socorro Nobre", de Walter Salles. Há dois especiais que devem merecer toda a atenção do público. Às 16h30 passa "Mulheres no Cinema", um panorama geral sobre a participação da mulher no cinema brasileiro, com depoimentos de Fernanda Montenegro, Tônia Carrero, Dercy Gonçalves, Carla Camurati e Sandra Werneck. Às 22h45, o destaque são as mulheres produtoras. Wilson Cunha, diretor-geral do Canal Brasil, disse que teve a idéia no Festival de Brasília do ano passado. Encontrou Gláucia Camargos, produta dos filmes de Paulo Thiago, e Marisa Leão, produtora dos de Sérgio Rezende. Viu a luta de Carla Camurati e Lúcia Murat, duas guerreiras na difícil arte de levantar recursos para os filmes que não apenas gostariam de fazer, mas que acham que precisam ser feitos. Somou a todas essas figuras a de Lucy Barreto, matriarca do clã Barreto, e chegou à conclusão: "O cinema brasileiro é um matriarcado em que as mulheres empurram a carreira dos homens". Gláucia afirma uma coisa importante. Diz que um cinema só é possível "quando o país quer se encarar". Analisando o momento atual, com a dificuldade de captação de recursos, Marisa diz que o grande desafio do cinema brasileiro é encontrar um equilíbrio entre o modelo 100% estatal, que vigorava no tempo da Embrafilme, e o 100% privado de hoje. A direção de "Mulheres Produtoras" é de Marcus Vinicius Cezar, com produção de uma mulher, claro (Veronica Solti). É uma parceria do Canal Brasil com a empresa Raccord. Figuras fortes - Dos filmes selecionados, nem todos são realizados por mulheres, mas privilegiam as personagens femininas fortes. De "Ganga Zumba" a "Quilombo" e "Orfeu", Cacá Diegues sempre foi atraído pelo tema da negritude. Em "Xica da Silva", ele traça o retrato da negra que reinou no Arraial do Tijuco. Você não vai esquecer a interpretação vibrante de Zezé Motta nem a cena em que ela avança eufórica em direção à câmera com a carta de alforria na mão. Zezé é uma bela "Xica da Silva", mas, em matéria de interpretação, ninguém supera Fernanda Montenegro como Zulmira, a falecida que Leon Hirszman adaptou de Nélson Rodrigues. Nélson não gostava do filme. Dizia que não tinha humor. Na verdade, não entendeu o humor judaico de Hirszman. O filme passa no Canal Brasil no momento em que há um revival de Nélson no palco, com as belíssimas montagens de "O Boca de Ouro" no Teatro Oficina e a de "A Serpente no Tapa". Por meio de diferentes concepções cênicas, José Celso e Eduardo Tolentino (no teatro) e Hirszman (no cinema) rendem tributo ao gênio do maior dramaturgo brasileiro.





